José Cruz/Agência Brasil

A cúpula da Câmara dos Deputados se envolveu em uma grave denúncia de espionagem e retaliação contra servidores que denunciaram desvios milionários envolvendo horas extras pagas a altos funcionários da Casa Legislativa. Segundo apurou a Revista Oeste, o diretor-geral Guilherme Barbosa Brandão e outros gestores hierárquicos – Sebastião Neiva Filho (diretor de TI) e Daniel Borges de Morais (advogado-adjunto)– arquitetaram um esquema para perseguir os denunciantes após uma representação formal enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU).

O episódio começou com o rastreamento sigiloso dos sistemas da Câmara, desencadeado em 22 de maio – coincidentemente no mesmo dia que a imprensa questionava uma viagem do diretor-geral a Lisboa. A cúpula disciplinar solicitou identificação de servidores que acessaram internamente um processo relacionado ao deslocamento, apesar das informações já estarem disponíveis publicamente no Portal da Transparência desde 19 de maio – demonstrando uma clara tentativa de obstrução à apuração dos fatos. Posteriormente, o diretor de TI intensificou a perseguição, rastreando os sete e sessenta processos do diretor-geral abertos em 2025, envolvendo um total de 93 pessoas e gerando mais de 814 páginas de registros detalhados que alcançaram até mesmo o secretário-geral da Mesa Diretora e auditoras da área de recursos humanos.

A representação apresentada ao TCU classifica as ações do diretor-genral e seus aliados como um grave abuso de autoridade, uma clara violação à Lei nº 13.608/2018, que proíbe represálias contra denunciantes de boa fé, bem como das resoluções de proteção do Tribunal de Contas da União. Os servidores acusaram a cúpula da Câmara de tentar obstruir qualquer apuração dos escândalos envolvendo pagamentos irregulares e abuso de poder em detrimento da transparência e fiscalização governamental. É urgente que o TCU tome as medidas cabíveis, suspendendo imediatamente os processos disciplinares internos e afastando cautelarmente os gestores envolvidos do exercício das funções de comando – uma medida necessária para garantir a integridade dos órgãos públicos.

A Câmara dos Deputados se defendeu veementemente contra as acusações, alegando que a apuração de possíveis infrações é um dever legal da Administração Pública e que o monitoramento computacional, referente aos metadados de sistemas corporativos, possibilita auditorias institucionais permitidas. A Casa também ressaltou que os procedimentos disciplinares tramitam sob sigilo absoluto restrito à comissão processante – demonstrando uma tentativa clara de obscurecer as evidências e proteger figuras envolvidas em irregularidades.

Icone Tag

Possui alguma informação importante para uma reportagem?

Seu conhecimento pode ser a peça-chave para uma matéria relevante. Envie sua contribuição agora mesmo e faça a diferença.

Enviar sugestão de pauta