Lula Marques/ Agência Brasil.

Os advogados que representam a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) na Itália anunciaram que vão apresentar, em breve, um requerimento para afastar os juízes responsáveis por seu caso na Corte de Apelação de Roma. Eles apontam indícios de parcialidade e atitudes adversas por parte do colegiado, o que comprometeria um julgamento justo.

Durante a sessão desta terça-feira, 20, os magistrados rejeitaram diversas demandas da defesa, como o fornecimento de informações completas sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, apelidada de Colmeia, onde Zambelli poderia ser enviada se a extradição for aprovada. Também negaram acesso a arquivos confidenciais de seu processo no Brasil e recusaram ouvir como testemunha Eduardo Tagliaferro, antigo auxiliar do ministro Alexandre de Moraes no TSE, que se encontra na Itália aguardando decisão sobre sua própria extradição e impedido de deixar o país.

“Observamos uma postura claramente desfavorável e com indícios de julgamento prévio em nossas petições, que não foram acatadas”, declarou o advogado Pieremilio Sammarco ao jornal Folha de S.Paulo nesta quarta-feira, 21. O pedido de substituição deve ser formalizado nos dias seguintes.

Na mesma audiência, Zambelli manifestou sua intenção de contestar a composição da corte. No Brasil, ela alega sofrer retaliação política por parte do Supremo Tribunal Federal. Após três postergações desde novembro, a sessão, que se iniciou com atraso de duas horas, foi interrompida no final da tarde. A próxima data marcada é 11 de fevereiro, quando o tribunal retomará a análise do pedido de extradição.

Zambelli está na Itália há cerca de seis meses, tendo passado dois deles como foragida. Se extraditada, o tempo já cumprido seria deduzido da pena restante. No Brasil, ela enfrenta duas sentenças: dez anos e oito meses por suposta participação intelectual em invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, e cinco anos e três meses por posse irregular de arma e intimidação.

O episódio com a arma remonta a outubro de 2022, quando, ao se defender de uma agressão, Zambelli perseguiu um apoiador de Luiz Inácio Lula da Silva em uma área upscale de São Paulo, com a arma em mãos.

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