As contas externas do Brasil fecharam 2025 com um saldo negativo de US$ 68,8 bilhões, o pior desempenho registrado nos últimos onze anos, superado apenas pelo rombo de US$ 110,5 bilhões observado em 2014. O Banco Central divulgou os dados nesta segunda-feira, 26, destacando um aumento de 4% no déficit em comparação com o ano anterior.
Esse resultado abrange o balanço comercial, os gastos com serviços contratados por brasileiros no exterior e os envios de rendas, como juros, lucros e dividendos para fora do país. Itens como plataformas de streaming e ferramentas de software digitais também entram nessa equação. A piora veio impulsionada por uma queda de US$ 15,5 bilhões no superávit comercial, além de um agravamento de US$ 8 bilhões no déficit de renda primária, embora o saldo de serviços tenha melhorado em US$ 6 bilhões.
O comércio exterior terminou o ano com um saldo positivo de US$ 50,3 bilhões, com exportações somando US$ 319,9 bilhões – uma redução de US$ 20 bilhões ante 2024 – e importações caindo US$ 4,5 bilhões, para US$ 269,5 bilhões. Já os serviços fecharam com um déficit de US$ 49,1 bilhões. O rombo total nas transações correntes equivalia a 3,02% do PIB, uma leve melhora em relação aos 3,03% de 2024.
Por outro lado, os investimentos diretos estrangeiros atingiram US$ 77,7 bilhões, o maior volume desde 2018, quando somaram US$ 78,2 bilhões. Isso representa um crescimento de 4,8% sobre o ano anterior e 3,41% do PIB, contra 3,39% em 2024. Dentro desse fluxo, as entradas em capital social líquido foram de US$ 62,4 bilhões, com queda de 3,5%; os reinvestimentos diminuíram 21,3%, mas outras formas de aporte subiram 14,2%. As transações entre empresas ligadas renderam US$ 15,3 bilhões líquidos, acima dos US$ 5,8 bilhões de 2024. Os investimentos em carteira no mercado local trouxeram US$ 15,3 bilhões líquidos, com saídas de US$ 4,9 bilhões em ações e fundos, mas entradas de US$ 20,2 bilhões em títulos de dívida.









