O empresário Marcos Molina, proprietário da Marfrig, um dos maiores frigoríficos do Brasil, recebeu R$ 400,9 milhões do Banco Master em um período de oito meses. O detalhamento veio à tona em um documento de alerta de inteligência financeira da Controladoria das Atividades Financeiras (Coaf).
A Marfrig, fundada por Molina em 2000 e que se fundiu com a BRF em maio de 2025, formando a MBRF, não mantinha conta corrente no Banco Master nem realizava investimentos através da instituição financeira. A empresa justificou que os recursos eram provenientes de exportações, rejeitando interpretações alternativas sobre as operações.
Segundo a Revista Oeste, o Coaf analisou as movimentações da Marfrig entre julho de 2024 e março de 2025, identificando “movimentação em benefício de terceiros sem causa aparente”, “transações expressivas em espécie com indícios de fracionamento” e “recebimento de créditos com o imediato débito sem aparente justificativa”.
Os repasses do Banco Master, liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que foi liquidado em novembro, representaram R$ 38 bilhões na Marfrig nesse período. Entre julho e agosto de 2024, foram transferidos R$ 101,6 milhões. De agosto de 2024 a fevereiro de 2025, o valor aumentou para R$ 282,5 milhões. Nos meses de fevereiro e março de 2025, a Marfrig recebeu mais R$ 16,7 milhões.
O ministro Gilmar Mendes, que viajou a convite de Molina em um jato da Prime You, da qual Vorcaro era sócio, permaneceu em silêncio diante das investigações. A Marfrig figura entre as “Campeãs Nacionais”, empresas que receberam apoio do Estado, incluindo investimentos do BNDES, como durante os governos Lula da Silva.
Conforme reportado pela Revista Oeste, o documento do Coaf aponta Molina como um dos donos da Marfrig. Atualmente, ele preside o Conselho de Administração da MBRF.









