Gilberto Waller Junior, ex-presidente do INSS, atribuiu a responsabilidade pela longa espera por benefícios a falhas do Ministério da Previdência Social e de problemas tecnológicos. A declaração foi feita após sua demissão, ocorrida na segunda-feira (13).
Segundo a Gazeta do Povo, Waller justificou que a fila de 2,7 milhões de pedidos é resultado da gestão do Ministério da Previdência Social e de falhas graves nos sistemas. Ele ressaltou que a maior parte dos solicitantes com espera superior a 45 dias depende da perícia médica, uma área sob responsabilidade direta do ministério, e não do INSS.
Uma nota técnica apurou que problemas nos sistemas da Dataprev geraram perdas de R$ 233 milhões. As instabilidades nas centrais de análise resultaram em quase 3 milhões de horas de trabalho perdidas entre o final de 2024 e o início de 2026. Waller enfatizou que essas dificuldades estavam além do controle da presidência do órgão.
O ex-presidente também afirmou ter recebido o INSS com uma fila menor do que a existente em 2025. Em março de 2026, foram liberados 890 mil benefícios e analisados 1,6 milhão de processos, um recorde histórico. Waller declarou ter deixado a gestão com os sistemas funcionando sem os problemas que herdou.
Conforme apurou a Gazeta do Povo, o ex-presidente não teve contato direto com o ministro da Previdência Social ou com o presidente Lula. O comunicado sobre a demissão foi feito pelo secretário-executivo da pasta, e o único contato de alto escalão foi com o advogado-geral da União, Jorge Messias, responsável por sua indicação ao cargo.
O Ministério da Previdência Social planeja implementar mutirões, utilizar telemedicina e contratar 500 novos peritos. Além disso, foi retomado um programa de bônus de desempenho para servidores que processarem pedidos extras. O objetivo é evitar que a espera ultrapasse os 45 dias, prazo para pagamento da correção monetária, e, consequentemente, reduzir os gastos públicos.









