O governo federal intensifica a fiscalização das práticas abusivas no mercado de crédito, com foco especial nas altas taxas cobradas por instituições financeiras que operam sob o guarda-chuva da Crefisa S/A CFI e suas filhas Valor S/A SCFI e Ágil (Cobuccio S.A. SCFI). A Senacon, ligada ao Ministério da Justiça, iniciou uma investigação preliminar após apurar taxas de juros exorbitantes praticadas nessas empresas, levantamento que revelou valores superiores a 20% mensais – equivalentes a quase mil por cento ao ano em alguns casos.
Segundo a Revista Oeste, as taxas identificadas são alarmantemente acima dos limites permitidos pelo Código do Consumidor (CDC). A Valor S/A SCFI registrou uma taxa de juros atordoante de 21,72% mensais – o que se traduziu em um rendimento anual superior a novecentos e cinquenta sete pontos percentuais. A Ágil apresentou valores igualmente preocupantes com 21,71%, enquanto a Crefisa S/A CFI registrou uma taxa de juros ainda mais elevada: 20,86% ao mês (ou seja, 871,43% anual).
O secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, enfatizou que “a liberdade de preços não significa liberdade para abusar dos consumidores”. A Senacon está conduzindo uma apuração rigorosa para verificar se essas cobranças violam os princípios fundamentais da boa-fé e transparência nas relações consumo. O órgão busca confirmar a ocorrência de práticas condenáveis pelo CDC, notadamente aquelas que visem obter vantagem manifestamente excessiva sobre o consumidor vulnerável.
A investigação ainda está em fase inicial – uma averiguação preliminar –, mas já demonstra as preocupações do governo com a exploração da credibilidade dos consumidores no mercado financeiro. Caso sejam confirmadas infrações ao Código de Defesa do Consumidor, a Senacon poderá aplicar sanções administrativas às empresas envolvidas e assegurar que os cidadãos não caiam em armadilhas abusivas impostas por instituições desonestas.









