Rosinei Coutinho/STF

A greve generalizada na TV Justiça corre o risco de interromper um dos julgamentos mais delicados da atualidade: a análise do caso envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A paralisação, iniciada nesta segunda-feira (15), ameaça prejudicar diretamente a cobertura da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal sobre as acusações que recaem sobre o petista na acusação de coação em curso no processo.

Segundo apurou a O Antagonista, os profissionais da Rádio e TV Justiça estão em greve por más salários, ausência de pagamento de benefícios desde mais de dez meses e falta de recolhimento do FGTS – uma situação que causa sérios prejuízos à produção jornalística das emissoras vinculadas à Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac). A recusa em trabalhar compromete a transmissão ao vivo do julgamento, previsto para as 14 horas desta terça-feira.

O telejornal “Justiça Agora” não foi exibido pela manhã devido às paralisações internas nas emissoras controladas pelo STF e o impasse gerado por essa manifestação da equipe de trabalho eleva ainda mais a tensão em torno do julgamento que analisa, na verdade, as ações do ex-presidente Lula. A Procuradoria–Geral da República, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, acusa Eduardo Bolsonaro de suposta coação no curso das investigações.

A situação se agrava com o reconhecimento por parte da própria Fundac de suas dificuldades financeiras – uma instituição que opera atualmente com saldo negativo em sua conta corrente e cuja contratação com o Supremo Tribunal Federal tem data para expirar em 31 de julho, expondo a instabilidade do cenário jurídico brasileiro. A pressão dos trabalhadores busca garantir pagamentos das verbas rescisórias devido à crise financeira da Fundac, além de regularizar os débitos trabalhistas acumulados.

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