José Cruz/Agência Brasil

O economista Guilherme Mello, escolhido por Fernando Haddad para ocupar uma diretoria no Banco Central, foi um dos principais redatores do programa de governo apresentado pelo PT em 2022, documento elaborado pela Fundação Perseu Abramo. O texto defende uma mudança profunda no papel da autoridade monetária, ampliando suas atribuições para além do controle exclusivo da inflação.

Segundo o material, o BC não pode se limitar à meta de preços, devendo incorporar o monitoramento do nível de emprego e da estabilidade econômica geral. A proposta heterodoxa sugere priorizar o núcleo do índice de inflação – que exclui itens voláteis como combustíveis – e dotar o banco de instrumentos mais amplos para atuar em cenários de crise.

O plano também incorpora preocupações sociais, orientando a instituição a considerar desigualdades de renda, gênero e raça em suas decisões técnicas. No campo cambial e financeiro, o documento critica a sobrevalorização histórica do real, que teria prejudicado a indústria ao longo de décadas, e defende regulação dos fluxos de capital para conter especulação e oscilações bruscas.

A estratégia visa desmontar o que chama de “armadilhas do passado”, como juros elevados e câmbio desequilibrado, que teriam contribuído para a desindustrialização. Para isso, propõe normas mais rígidas sobre entrada e saída de recursos internacionais, com o objetivo de garantir estabilidade e favorecer o setor produtivo.

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