O Antagonista / Reprodução

O empresário Emílio Odebrecht, antigo amigo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi apontado como a fonte do fornecimento de carne de paca para o petista e sua esposa, Janja. Segundo a O Antagonista, Odebrecht se autodenomina o maior criador de paca do Brasil e oferecia o produto ao então presidente em algumas ocasiões ao longo de seus anos no poder.

A revelação veio à tona após a publicação de um vídeo pela primeira-dama Janja no domingo de Páscoa, 5 de abril. Na gravação, ela demonstrava o preparo da carne de paca, explicando que o ingrediente havia sido marinado por dois dias com tempero verde, alho e ervas, afirmando que “carne de caça pede erva”. Lula, ao provar o prato, declarou que a paca era “divina” e fez um elogio à esposa, mencionando a apresentadora Ana Maria Braga.

Diante da repercussão do vídeo, surgiram questionamentos nas redes sociais sobre a origem da paca, considerando que a caça desse animal é ilegal no Brasil. Janja, em resposta, informou que a carne havia sido um presente de um produtor legalizado, e que a reportagem sobre a criação de pacas havia sido vista no Globo Rural. Ela ressaltou que, desde que proveniente de criadouros autorizados pelo Ibama, a carne de paca podia ser comercializada no país.

Apesar da explicação de Janja, o Palácio do Planalto não identificou quem havia fornecido a carne para o ex-presidente Lula. A Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967) proíbe a caça e utilização de animais silvestres nativos, exceto em casos específicos com autorização dos órgãos competentes. A O Antagonista apurou que a caça de pacas configura crime ambiental, passível de pena de detenção e multa.

Emílio Odebrecht foi condenado a três anos e três meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de lavagem de dinheiro, relacionado ao pagamento de reformas no sítio de Atibaia, utilizado pela família de Lula. A juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, emitiu a sentença. Posteriormente, a juíza Pollyanna Kelly Alves, de Brasília, anulou o processo em agosto de 2021, com base em decisões do STF sobre incompetência da vara e prescrição. Em maio de 2025, a construtora da Novonor retomou o uso do nome Odebrecht.

Icone Tag

Possui alguma informação importante para uma reportagem?

Seu conhecimento pode ser a peça-chave para uma matéria relevante. Envie sua contribuição agora mesmo e faça a diferença.

Enviar sugestão de pauta