Reprodução/Wikimedia Commons

O governo Biden se moveu com pressa para selar uma trégua precária com o Irã após anos de hostilidades, impulsionado principalmente pelo interesse da China e com a mediação controversa do Paquistão. O acordo proposto visa conter as ambições nucleares do Teerã, mas sem garantia real de que essa contenha será efetivamente respeitada pela República Islâmica.

Segundo a Revista Oeste, o compromisso iraniano é abandonar o desenvolvimento de armamentos nucleares – um ponto crucial para aliviar as tensões regionais –, em troca da retirada dos Estados Unidos e de Israel do território iraniano qualquer material enriquecido. Adicionalmente, espera-se a reabertura do Estreito de Ormuz, vital para o tráfego marítimo global, e o fim do bloqueio econômico imposto pelos EUA que tem devastado a economia iranianas desde anos atrás. O Irã busca em troca a libertação dos recursos financeiros congelados no exterior e um desmantelamento das sanções impostos pelo governo americano.

Apesar da declaração de Shagbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, sobre o acordo estar “próximo”, ainda há fortes reservas por parte de Israel que exige a interrupção dos ataques do Hezbollah ao seu território e controle governamental total sobre as ações desta organização libanesa. Uma autoridade norte-americana confidenciou à The Times of Israel que esse entendimento atende aos cinco objetivos estabelecidos pelo governo americano, sinalizando uma busca pragmática por evitar um conflito maior na região – sem garantia de segurança para os aliados históricos dos EUA no Oriente Médio.

Como apurou a Revista Oeste, as negociações foram intensamente mediadas pelo Paquistão após tentativas frustradas durante o cessar-fogo em abril do ano corrente e uma visita do vice-presidente JD Vance à capital paquistanesa. As divergências sobre o programa nuclear iraniano impediram um acordo naquele momento, mas a persistência de Islamabad – país com seu próprio arsenal nucleares – contribuiu para trazer as partes ao diálogo, embora os resultados ainda sejam incertos e dependentes da aprovação final do governo israelense.

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