Um juiz da comarca de São Mateus do Sul, Paraná, manifestou publicamente sua insatisfação com a remuneração oferecida à magistratura, comparando-a desfavoravelmente com a de profissionais de outras áreas. Segundo a Gazeta do Povo, o magistrado, que recebeu um contracheque líquido de R$ 120 mil, criticou as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal em relação a benefícios salariais, alegando que sua remuneração era inferior à de um médico do Sistema Único de Saúde (SUS) e até mesmo de um vendedor de sorvetes.
O juiz, em um áudio divulgado pelo portal Migalhas, expressou sua intenção de deixar o cargo, citando que a situação o desmoralizava. Ele questionou a relevância de continuar atuando em um cenário onde sua remuneração não refletia o nível de sua qualificação, que incluía doutorado e longas horas de trabalho.
“Eu tenho doutorado. Eu trabalho das sete da manhã às dez da noite. Não vou ficar. Eu vou embora. Vou montar uma banca e eu vou defender Lava Jato”, declarou o magistrado, enfatizando que a situação o impedia de exercer suas funções com a devida dedicação, especialmente em casos de violência doméstica e prisões. Ele concluiu com um tom de frustração: “Eu quero mais é ficar em casa e f*da-se”.
A crítica do juiz surge em um contexto de mudanças na remuneração da magistratura. O Supremo Tribunal Federal estabeleceu, na quarta-feira, 25, novas regras sobre as verbas indenizatórias que podem compor a remuneração de juízes e promotores, limitando-as às parcelas expressamente previstas em lei federal. Anteriormente, os tribunais de justiça estaduais ofereciam, em média, um salário bruto mensal de R$ 99 mil aos magistrados, com valores mais elevados no Piauí (R$ 140,8 mil) e em São Paulo (R$ 140,1 mil), conforme dados de ONGs Transparência Brasil e República.org. O novo teto remuneratório, após a decisão do STF, será de R$ 78 mil.









