A extravagância de gastos públicos em meio à grave crise hídrica que assola a Bahia chocou analistas e alimenta a crescente preocupação com a gestão municipal de Quijingue. O Tribunal de Justiça da Bahia determinou a suspensão do contrato milionário de R$ 780 mil com a dupla Victor & Leo para o São João, um desvio flagrante de prioridades em um cenário de extrema necessidade.
Segundo a Revista Oeste, a prefeitura já havia comprometido mais de R$ 4,5 milhões com os festejos juninos, incluindo cachês exorbitantes para artistas como Murilo Huff (R$ 650 mil) e César Menotti & Fabiano (R$ 600 mil). Essa alocação irresponsável de recursos, em um município de aproximadamente 30 mil habitantes, demonstra uma clara falta de senso de prioridades e um desrespeito à população que sofre com os efeitos da seca, uma emergência declarada.
A juíza Dione Cerqueira Silva, em sua decisão, ressaltou a inadmissibilidade de um cachê ultrapassando os R$ 700 mil estabelecidos como parâmetro de alerta pelos órgãos de controle baianos. A magistrada enfatizou que, diante da situação de emergência hídrica, o município deveria direcionar seus recursos para serviços públicos essenciais, e não para eventos de entretenimento com custos exorbitantes. Além disso, a juíza proibiu o pagamento de cachês acima da média praticada em anos anteriores, com correção pela inflação, uma medida que visa conter os gastos excessivos.
A decisão judicial também prevê uma multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 500 mil, caso a prefeitura não cumpra a ordem judicial. Este caso expõe novamente a necessidade de rigor na fiscalização dos gastos públicos e a importância de se proteger contra desvios e desperdícios, especialmente em momentos de crise. A Revista Oeste, ao investigar essa situação, demonstra a importância do jornalismo de investigação para garantir a responsabilidade dos gestores públicos.









