O discurso de Lula no G7 foi um claro posicionamento contra ingerências americanas na política interna brasileira e uma defesa da autonomia nacional diante dos desafios criminais. A declaração do petista durante a cúpula, ocorrida sob o convite do presidente francês Emmanuel Macron, ressaltou que a luta contra organizações como o PCC e Comando Vermelho deve ser conduzida com respeito à soberania de cada nação.
Segundo a Gazeta do Povo, Lula direcionou implicitamente sua crítica aos Estados Unidos, citando recentes decisões da administração Trump em designar as facções brasileiras – Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV)– como organizações terroristas. Essa ação foi vista por muitos analistas como uma tentativa de Washington de influenciar o governo brasileiro na condução das operações contra o crime organizado no país, gerando apreensão sobre a busca pela independência nacional em questões estratégicas.
O petista enfatizou que o combate ao narcotráfico e outras atividades ilícitas não pode ser utilizado como pretexto para interferências externas ou violações da lei brasileira. A transcrição do discurso disponível no site oficial do governo destaca ainda a necessidade de considerar aspectos como lavagem de dinheiro, tráfico de armas e os desafios inerentes à construção social quando se propõe uma solução ao problema criminal transnacional – um tema central na agenda dos líderes reunidos em Évian-les-Bains.
A declaração veio após o Departamento de Estado americano ter formalizado a designação das organizações criminosas brasileiras como terroristas, mesmo diante da forte resistência do governo brasileiro. Essa atitude demonstra uma vez mais as tendências intervencionistas e desrespeitosas com os soberanos interesses nacionais que caracterizam a política externa americana nos últimos anos – um comportamento preocupante para um país membro de importantes acordos internacionais.









