O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus aliados têm intensificado o discurso eleitoral, adotando uma postura nacionalista e antiamericana nos últimos dias. Essa estratégia visa reposicionar o debate político e recuperar apoio, em parte, devido às medidas de Donald Trump que impactaram o Brasil anteriormente.
Nos últimos dias, figuras da esquerda, como o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) e a ministra Gleisi Hoffmann, acusaram o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de buscar alianças com a potência americana em troca de apoio, mencionando especificamente a possibilidade de venda de minerais estratégicos aos Estados Unidos.
Em discursos realizados em São Paulo e durante o 1º Fórum de Alto Nível Celac-África, em Bogotá (Colômbia), em 21 de março, Lula criticou as intervenções de Trump na Venezuela, Cuba e Irã, ressaltando a busca americana por riquezas minerais na América Latina. O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, também retomou o discurso de intervenção americana nas eleições brasileiras, afirmando que uma vitória de Flávio Bolsonaro resultaria em um governo influenciado por Trump.
Analistas observam que essa movimentação do campo governista busca mobilizar a base eleitoral da esquerda, resgatar o discurso nacionalista e combater o que consideram os riscos da influência excessiva de uma grande potência econômica e militar no processo político brasileiro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, durante uma conferência conservadora nos Estados Unidos, defendeu a soberania nacional e criticou o que considera ter sido uma interferência indevida da administração Biden em 2022.
O bloqueio da visita do assessor do presidente americano, Darren Beattie, à Brasília, por ordem do governo brasileiro, gerou uma nova onda de tensão entre Brasil e Estados Unidos. A Gazeta do Povo revelou que o Itamaraty apontou “ingerência externa em ano eleitoral” e revogou o visto de Beattie, intensificando a disputa eleitoral.
Flávio Bolsonaro classificou a reação do governo e do STF como “paranoia” sobre interferência externa, ressaltando a importância do diálogo bilateral para combater o crime organizado e atrair investimentos. Aliados do senador argumentam que uma aproximação entre a direita brasileira e Trump pode fortalecer o alinhamento do Ocidente contra as ditaduras e o narcotráfico, embora o governo brasileiro se recuse a classificar facções como terroristas.
Uma pesquisa da Quaest, divulgada na semana passada, indicou que 28% dos entrevistados ficariam ainda mais convictos de votar em Flávio Bolsonaro se ele fosse apoiado por Trump, enquanto 32% dizem que isso os levaria a preferir Lula. Segundo a pesquisa, o eventual endosso de Trump fortalece a candidatura de Flávio sobretudo entre eleitores já alinhados à direita, mas pode gerar reação negativa nos demais grupos de eleitores, ampliando a rejeição ao candidato.
O presidente Valdemar Costa Neto (PL), em entrevista à Gazeta do Povo, disse ter ficado confuso com a suspensão da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mas apostou no apoio de Trump a Flávio, sobretudo se o senador for eleito. O coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), minimizou a ideia de intervenção americana, argumentando que a aproximação com Trump só ocorreria em casos de “convergência de interesses”.
Daniel Afonso Silva, professor de relações internacionais da USP, avalia que pressões indiretas, como cooperação no combate ao crime organizado, podem ter efeito favorável à direita, enquanto a manifestação explícita de apoio a candidatos tende a fortalecer reações nacionalistas. Silva alerta que medidas econômicas contra o país podem provocar consequências inesperadas, como o recente tarifaço, que fez Lula até recuperar apoio popular.
Arthur Wittenberg, professor de relações institucionais do Ibmec-DF, avalia que qualquer sinal de interferência americana nas eleições deve ser pesado, apesar da reprovação em alta de Lula e do avanço de Flávio nas pesquisas. Segundo ele, o endosso dos EUA poderia dar chance ao discurso de soberania ameaçada, mas exige dele moderação no discurso e cautela no alinhamento com Trump, que pode ajudar na base, mas limitar a expansão entre eleitores independentes.
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