A persistente trajetória inflacionária no Brasil revela um problema central: a inabilidade da política econômica de lidar com as pressões internas e externas que afetam o poder do consumidor. A constante elevação das taxas Selic pelo Copom, em vez de ser vista como uma ferramenta para conter especulações ou atenuar os efeitos de choques externos, tem se mostrado um instrumento inadequado – quase destrutivo –, contribuindo para a estagnação da economia e exacerbando o desequilíbrio entre oferta e demanda.
Segundo a Revista Oeste, o sistema econômico capitalista opera sob uma dinâmica crucial: empréstimos e investimentos que transformam capital em mais capital quando indivíduos empregam dinheiro de terceiros com objetivos produtivos. No entanto, taxas de juros elevadas – somados aos altos impostos – sufocam essa relação ganha-ganha, dificultando o investimento produtivo e impulsionando a inflação como uma consequência inevitável da má administração das finanças públicas.
A analogia do Estado como um carro que necessita de direção é pertinente: assim como não se controla as leis físicas com frenagens descontroladas, tampouco podemos permitir que políticas econômicas erráticas e excessivamente restritivas (como o aumento irrefletido da taxa Selic) desviem a economia. A política fiscal contracionista – ou “freio” –, quando mal utilizada em um cenário de instabilidade externa, eleva os riscos do desgoverno nacional, colocando em perigo o futuro do país e a capacidade produtiva dos cidadãos.
É fundamental que o governo adote medidas concretas para destravar o potencial produtivo da nação: corte de gastos públicos, controle rigoroso da dívida pública, criação de um ambiente favorável ao empreendedorismo industrial e uma revisão tributária inteligente – especialmente em relação às empresas –, caso contrário a “soltar o freio” não fará nada além de desgovernar o país, com a inflação se tornando uma tempestade sem fim.









