Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao apresentar suas metas para 2026 ao Congresso Nacional nesta segunda-feira, 2, o governo Lula condensou em poucas linhas o que realmente importa: a perpetuação do próprio presidente no poder. A Mensagem ao Congresso traça um retrato irrealista dos últimos três anos, culminando na alegação de que 2025 registrou “a maior ofensiva contra o crime organizado de todos os tempos”. O texto chega ao ponto de afirmar que, pela primeira vez, o combate às facções alcançou “o andar de cima”.

Essa narrativa soa ainda mais distante da realidade quando se observa a resistência do governo em apoiar uma CPI para investigar o caso Banco Master, além das declarações lenientes do próprio Lula em relação a criminosos. A segurança pública aparece como uma das prioridades legislativas, mas o governo parece desinteressado em avançar com a PEC da Segurança Pública – rejeitada pelos governadores por invadir competências estaduais – ou com o PL Antifacção, que perdeu apoio após modificações na Câmara promovidas pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP).

Outra bandeira destacada é o projeto de “fim da escala 6×1 sem redução de salário”, uma proposta que nem precisa virar lei para cumprir sua função: servir de pretexto para discursos eleitorais. Basta mantê-la viva para culpar empresários, a Faria Lima ou qualquer outro “andar de cima” que o PT deseje atacar. O texto presidencial chega a lamentar que “não é justo” trabalhar a semana inteira e ter apenas um dia de descanso, como se uma simples norma pudesse alterar essa equação sem gerar desemprego ou queda na renda.

A regulação do trabalho por aplicativos também figura como urgência, mas o PT continua sem conexão real com essa categoria. O assunto já foi capa de revista em 2023, evidenciando o atraso petista em compreender a nova dinâmica do mercado de trabalho.

Todas essas bandeiras têm um único propósito: pavimentar a tentativa de Lula de permanecer no poder por mais quatro anos a partir de 2027. A pré-campanha começou há muito tempo, quando o presidente abandonou qualquer esforço de governabilidade e optou por uma postura de confronto permanente com o Congresso, na esperança de sobreviver politicamente até a eleição.

Na mensagem, Lula celebrou a “inflação sob controle”, chegando ao ponto de creditar parte do resultado a “mudanças em alíquotas de importação” – medida considerada inócua por setores produtivos. Na prática, como revela a ata do Copom divulgada nesta terça-feira, 3, o controle inflacionário foi sustentado exclusivamente pela política monetária do Banco Central, que precisou elevar juros para compensar o expansionismo fiscal do governo.

O Brasil dificilmente suportaria mais quatro anos desse modelo.

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