O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) enfrenta um prazo crítico para impedir a liberdade de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV), e pai do cantor Oruam. Segundo a Gazeta do Povo, a expectativa é que o criminoso esteja em liberdade por meados de outubro deste ano, o que representa uma grave ameaça à segurança pública carioca e nacional.
Marcinho VP, que cumpre pena no presídio federal de Campo Grande (MS), possui uma trajetória marcada pela criminalidade, com uma pena total de 36 anos, que, considerando a legislação vigente na época de suas condenações, o manteria atrás das grades até 2032. A situação é agravada pelo fato de que ele está envolvido em diversos processos criminais, e uma nova condenação ou prisão preventiva por algum deles poderia prolongar sua detenção.
A aprovação do Pacote Anticrime em 2019 elevou o tempo máximo de prisão para 40 anos, regra que, embora não se aplique às penas anteriores a essa mudança, poderá ser utilizada para mantê-lo preso por mais tempo. O MP-RJ busca uma solução jurídica para evitar que ele continue exercendo influência dentro do sistema prisional, onde, mesmo atrás das grades, comanda atividades criminosas.
De acordo com a Gazeta do Povo, o MP solicitou a prisão preventiva do trio composto por Marcinho VP, Marco Antônio Pereira (o “My Thor”) e Cláudio José Fontarigo (o “Claudinho da Mineira”), acusados de adotar medidas protelatórias para obstruir o andamento dos processos. A decisão da Vara de Execuções Penais (VEP) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) de renovar sua permanência em presídio federal, com base em pareceres de órgãos de segurança, demonstra a preocupação com a continuidade da atuação criminosa de Marcinho VP.
A defesa do traficante argumenta que ele está preso há 18 anos, afastado do seu local de origem e dedicado à leitura e produção literária, além de ter sido banido do seu estado de origem em 2007. A reportagem da Gazeta do Povo revelou que Marcinho VP, mesmo preso, manteve sua liderança no Comando Vermelho, ordenando ataques e coordenando atividades criminosas, conforme relatórios da Polícia Civil.
A situação se complica ainda com a história pessoal de Marcinho VP, que inclui o episódio de “bilhetes do CV”, ordens para torturas e mortes, e a suspeita de ter ordenado a morte de outro traficante do Comando Vermelho, Márcio Amaro de Oliveira. A trajetória do criminoso, que ganhou notoriedade após conceder acesso à comunidade do Morro Santa Marta para filmagens com Michael Jackson, demonstra a complexidade e os desafios enfrentados pelo MP-RJ na busca por sua manutenção presa.









