O ministro André Mendonça, atual relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal, tomou medidas que alteraram a condução técnica da investigação, afastando dois nomes previamente designados por Dias Toffoli. A decisão reforça o controle da Polícia Federal sobre a perícia e análise de provas, devolvendo à corporação a autonomia para distribuir os materiais apreendidos entre seus próprios especialistas.
O perito Lorenzo Victor Schrepel Delmutti, escolhido diretamente por Toffoli para examinar o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, perdeu acesso aos dispositivos após Mendonça autorizar a redistribuição dos cerca de cem aparelhos eletrônicos coletados nas duas fases da Operação Compliance Zero. As senhas foram canceladas, e novos acessos foram liberados apenas a técnicos indicados pela direção da PF.
O delegado Rafael Dantas, que atuava nos bastidores do gabinete de Toffoli e chegou a investigar suposto vazamento de perguntas do depoimento de Vorcaro, também foi automaticamente afastado com a saída do ex-relator. Dantas já havia participado de outras ações sensíveis sob orientação de Toffoli, incluindo buscas na 13ª Vara Federal de Curitiba relacionadas a acusações do ex-deputado Tony Garcia no caso Banestado.
A mudança ocorre em meio a críticas internas à forma como Toffoli conduzia o inquérito. O ministro havia determinado que todo o material apreendido fosse lacrado e armazenado no STF, antes de remetê-lo à Procuradoria-Geral da República. Ele selecionou pessoalmente quatro peritos da PF, entre eles Lorenzo, para a análise. A Polícia Federal informou que o volume de dispositivos exigiria dedicação exclusiva de um único técnico por cerca de 20 semanas.
Mendonça optou por seguir o fluxo ordinário da instituição, com divisão regular das demandas entre peritos habilitados, segundo critérios técnicos e administrativos. Ele também limitou o compartilhamento de informações sigilosas dentro da própria PF, proibindo agentes e delegados de repassar detalhes a superiores hierárquicos ou outras autoridades públicas.
A relação entre Toffoli e a corporação foi marcada por atritos. O ex-relator chegou a acusar a PF de inércia na segunda fase da operação, enquanto investigadores afirmaram que a deflagração dependia da confirmação de endereços. Toffoli determinou que depoimentos de Vorcaro, Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Ailton de Aquino Santos (diretor de fiscalização do BC) ocorressem no STF e chegou a convocar acareação antes mesmo da coleta das oitivas.









