Autoridades mexicanas transportaram 37 indivíduos ligados a cartéis criminosos para os Estados Unidos nesta terça-feira, em meio a uma crescente exigência do governo Trump para que nações estrangeiras combatam redes de narcotráfico. O ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, descreveu os detidos como delinquentes de alto risco que representavam uma séria ameaça à estabilidade nacional. Com essa remessa, o total de figuras do crime organizado entregues aos americanos chega a 92.
Imagens divulgadas pelo governo mexicano capturaram o momento em que os presos, algemados e escoltados por agentes armados e encapuzados, embarcavam em um avião militar nos arredores da Cidade do México. O contingente abrange membros de grupos notórios, como o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nova Geração, o Cartel Beltrán-Leyva, o Cartel do Nordeste e resquícios dos Zetas, sediados em Tamaulipas, próximo à fronteira com o Texas. Todos enfrentam acusações em tribunais americanos.
Entre os transferidos está María del Rosario Navarro Sánchez, a primeira cidadã mexicana indiciada nos EUA por apoio material a uma organização terrorista, supostamente em conluio com um cartel. “Trata-se de uma resposta extrema do México diante da intensificação das demandas da Casa Branca”, comentou David Mora, analista do International Crisis Group, à agência Associated Press.
A ação ocorre enquanto o presidente Donald Trump eleva o tom contra os cartéis, inclusive sugerindo intervenções militares americanas, após uma operação recente que depôs o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro. “Eliminamos 97% das drogas que chegam por mar, e agora vamos focar nas rotas terrestres dos cartéis”, declarou Trump ao apresentador Sean Hannity, da Fox News, neste mês. “Os cartéis dominam o México – é triste ver o que aconteceu com aquele país.”
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum conversou com Trump na semana passada, afirmando que qualquer intervenção dos EUA no México seria desnecessária, ao mesmo tempo em que reforçou o compromisso com a colaboração bilateral. O México já havia extraditado 29 líderes em fevereiro passado, incluindo o traficante Rafael Caro Quintero, procurado pelo assassinato de um agente da DEA em 1985. Uma segunda leva, em agosto, envolveu 26 membros de diversas facções.
García Harfuch explicou que as transferências visam proteger a sociedade, já que esses chefes continuavam a coordenar atividades ilícitas mesmo de dentro das prisões mexicanas.









