Parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) manifestou insatisfação com as declarações do presidente Edson Fachin, expressando desconforto com a exposição de impasses internos.
Segundo a Revista Oeste, pelo menos cinco ministros demonstraram uma reação coordenada à postura pública de Fachin, criticando sua liderança e apontando para desunião e crise de credibilidade dentro do tribunal, especialmente em relação ao caso do Banco Master.
Os magistrados consideram que as ações de Fachin, embora visem consolidar um legado ético, estão, na prática, desgastando os colegas perante a opinião pública e fornecendo munição para críticos do STF, tanto no Congresso quanto na sociedade. A situação se agrava em um cenário de crescente desconfiança em relação ao Judiciário.
A insatisfação se intensifica com a percepção de que uma comunicação mais cautelosa poderia ter evitado os transtornos causados. Além disso, os ministros defendem que Fachin deve atenuar os impactos negativos, considerando o ano eleitoral que se aproxima e o aumento dos ataques ao STF.
Apesar de reconhecer a boa-fé do presidente, a maioria dos ministros discorda do encerramento do inquérito das fake news neste momento, avaliando-o como um risco para a unidade do tribunal. Eles também divergem sobre o foco no debate sobre um código de ética, priorizando questões urgentes como o cumprimento de decisões sobre benefícios adicionais, os chamados “penduricalhos”.
Edson Fachin, em seu balanço de seis meses de gestão, afirmou que “juízes também erram e precisam responder pelos erros”, e que “quem age em desacordo com uma regra ética precisa se sentir constrangido a repensar seu comportamento”.
As declarações de Fachin, conforme esclarecem pessoas próximas ao presidente, ocorreram no âmbito do debate sobre o código de conduta e propostas de punições a magistrados, sem direcionamento a casos específicos ou a ministros do STF.
Durante o evento, Fachin ressaltou a importância das decisões colegiadas, destacando julgamentos que fortalecem a segurança jurídica e a voz do plenário, como nos casos envolvendo penduricalhos.
Ele também informou que todos os ministros tiveram processos incluídos na pauta do plenário de forma equilibrada desde setembro, e que esse critério continuará a orientar a organização das pautas do Supremo nos próximos julgamentos. Fachin enfatizou a defesa da integridade moral do STF e da imparcialidade dos ministros como prioridade de sua gestão.









