O prefeito Ricardo Nunes (MDB) demonstrou veemência ao denunciar a operação da Polícia Civil em seu gabinete e na sede da produtora Dark Horse, classificando a ação como uma “perseguição política” e um ataque à democracia. A manifestação do gestor paulista ocorre em um momento de crescente pressão sobre o governo, evidenciando a utilização de métodos questionáveis para fins de intimidação.
Segundo a O Antagonista, a operação investiga possíveis irregularidades no contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pela implantação de uma rede de Wi-Fi gratuito na cidade. A presidente do instituto, Karina Gama, também é proprietária da Go UP Entertainment, produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, roteirizado pelo deputado federal Mario Frias. A suspeita é de que recursos desviados do contrato, que visava, em teoria, modernizar a infraestrutura da capital, possam ter sido direcionados à produtora cinematográfica.
A ação policial, iniciada por volta das 8h, envolveu buscas nas dependências da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, com agentes recolhendo documentos considerados de acesso público, conforme afirma o secretário Humberto Alencar. A comparação apresentada pelo prefeito Nunes entre os custos do contrato com o ICB (R$ 1.800 por ponto de acesso) e os gastos da estatal municipal Prodam (R$ 230 a R$ 306) demonstra a tentativa de expor uma possível inflação e desvio de recursos, um ponto crucial na investigação.
Nunes reiterou que a Prefeitura cooperará com as investigações, mas enfatizou que a motivação da operação reside em um ataque político ao filme “Dark Horse” e à legitimidade do processo de seleção do ICB, que apresentou a proposta como a única durante 30 dias. O prefeito declarou que a Prefeitura “vai ser o primeiro a tomar as providências” caso sejam identificadas irregularidades, mostrando-se disposto a enfrentar as acusações sem concessões.









