Afghanistan's Ministry of Defense/Handout via Reuters

O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Mohammad Asif, anunciou nesta sexta-feira que o país está em “guerra aberta” com o regime talibã no Afeganistão. A declaração veio após intenso tiroteio na fronteira compartilhada na quinta-feira, que durou mais de duas horas e pôs em risco o cessar-fogo acordado em 2025.

Asif acusou o Talibã de transformar o Afeganistão em “colônia da Índia” e de exportar terrorismo, afirmando que a paciência de Islamabad se esgotou. “Esperávamos estabilidade após a saída da Otan, mas recebemos apenas violência”, escreveu ele no X.

Os confrontos começaram depois que forças paquistanesas realizaram ataques aéreos em território afegão no início da semana, com o Talibã alegando 18 mortes – número negado por Islamabad, que afirmou ter atingido apenas esconderijos de militantes. Em resposta, o porta-voz talibã Zabihullah Mujahid anunciou “operações preemptivas extensas” contra posições militares paquistanesas ao longo da Linha Durand, incluindo uso noturno de unidades especializadas.

O Talibã afirmou ter matado “numerosos” soldados paquistaneses e capturado outros, além de derrubar drones. O governo paquistanês rebateu, dizendo que respondeu a fogo não provocado em Khyber Pakhtunkhwa e causou pesadas baixas ao lado afegão, com destruição de postos e equipamentos. A Embaixada dos EUA emitiu alerta de segurança, recomendando que cidadãos evitem deslocamentos.

A escalada ocorre em meio a acusações recíprocas: Islamabad culpa o Talibã por abrigar o Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), responsável por ataques suicidas em solo paquistanês. Cabul nega as alegações. Analistas temem que a tensão desestabilize ainda mais a região, especialmente após a pressão crescente de Washington para que o Paquistão e o Afeganistão controlem grupos extremistas.

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