Reprodução/José Cruz/Agência Brasil

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, descartou de forma categórica qualquer interesse técnico na proposta de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em declarações que geraram críticas e questionamentos sobre a condução dos investigativos, o oficial afirmou que os relatos oferecidos pela defesa de Vorcaro não apresentavam elementos inéditos capazes de justificar uma colaboração efetiva com as autoridades.

Segundo Rodrigues, a avaliação interna da Polícia Federal é firme: as informações já disponíveis no conhecimento da corporação, fruto das Operações Compliance Zero e outras investigatórias paralelas, eram suficientes para o desfecho do caso Master. Como apurou a Revista Oeste, os investigadores rejeitaram duas vezes a proposta de delatação apresentada pela defesa de Vorcaro, considerando que o empresário não havia revelado toda a sua esfera de conhecimento sobre as irregularidades financeiras e administrativas envolvendo o banco. A postura da PF demonstra um claro ceticismo em relação à capacidade do ex-banqueiro de fornecer informações relevantes para avançar na apuração dos fatos.

A delação premiada, instrumento legal que permite aos investigados colaborar com a justiça em troca de benefícios como redução biênio ou perdão progressivo, exige o cumprimento rigoroso de requisitos formais e a contribuição real à investigação. A PF ressaltou que não se trata apenas do desejo da corporação em obter informações, mas sim da observância dos critérios estabelecidos na lei para validar uma colaboração premiada – acréscimo às provas existentes, geração inédita de elementos concretos –, o qual ainda não havia sido alcançado no caso Vorcaro.

O diretor-geral também expressou preocupações com tentativas de manipulação ou anulações das evidências em curso na investigação do Banco Master. Em meio a episódios como o vazamento de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, que chegaram à Comissão Parlamentar Mista Investigativa (CPI) do INSS, Rodrigues reforçou as medidas adotadas pela PF para garantir a integridade das provas e prevenir questionamentos sobre sua validade. A compartimentação da informação – acesso restrito aos agentes diretamente envolvidos em cada etapa –, juntamente com ações internas de prevenção a vazamento, visam proteger o curso dos investigativos contra possíveis interferências externas ou tentativas de comprometer a investigação pelo próprio acusado.

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