A Polícia Federal está examinando minuciosamente o conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, antes de remeter qualquer material à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. A triagem segue determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, que limitou o compartilhamento exclusivamente às operações de crédito consignado sob investigação do colegiado.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, informou que os parlamentares devem ter acesso aos arquivos em até uma semana. A medida representa mudança significativa na condução das apurações: o ex-relator Dias Toffoli havia proibido o repasse e ordenado que o material ficasse guardado no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Toffoli deixou o caso no dia 12, após relatório da PF apontar conexões entre ele e Vorcaro, incluindo pagamento de R$ 35 milhões por participação em resort de que o ministro é sócio.
Ao assumir a relatoria, Mendonça autorizou a cooperação entre instituições e reforçou o protagonismo técnico da Polícia Federal, afastando nomes próximos ao antigo relator. A restrição ao consignado alivia tensões em Brasília, onde o conteúdo do aparelho gera preocupação no Judiciário e no Legislativo. Entre os arquivos está o contrato do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que previa cerca de R$ 130 milhões em três anos para defesa de interesses junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso.
A demora irrita membros da comissão, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que critica o entrave criado pela gestão anterior. Com menos de oito meses até as eleições, a CPMI corre contra o tempo. Carlos Viana garantiu que, ao receber o material filtrado, liberará o acesso a todos os parlamentares, dispensando sala reservada para dados pessoais de Vorcaro.
O Planalto sofreu revés recente na comissão com a aprovação de 87 requerimentos, entre eles a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, já autorizada por Mendonça a pedido da PF. A atenção agora se volta para o resultado da análise técnica da Polícia Federal nos arquivos do banqueiro.









