Pillar Pedreira/Agência Senado

A Polícia Federal cumpriu medida cautelar de monitoramento eletrônico e realizou busca e apreensão contra um vigilante lotado em agência da Receita Federal no Rio de Janeiro. O alvo é suspeito de participação no vazamento de informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal.

A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes e foi executada na última quinta-feira, 19, como desdobramento de operação anterior que mirou um auditor fiscal de carreira e três servidores cedidos de outros órgãos. Diferentemente da primeira fase, realizada na terça-feira de Carnaval, a ação permaneceu sob sigilo total, sem qualquer divulgação oficial. A informação foi revelada pela CNN Brasil e confirmada ao Estadão por fontes ligadas ao caso.

Na etapa inicial, Moraes determinou a PF que cumprisse mandados nos endereços dos quatro servidores, impondo tornozeleira eletrônica, proibição de saída do país e quebra de sigilos telefônico, fiscal e bancário. Segundo funcionários da Receita, o vigilante teria conexões com o servidor do Serpro Luiz Antônio Martins Nunes, que atuava na Receita no Rio e também foi alvo das investigações sobre vazamentos.

A associação que representa os auditores fiscais classificou a medida como excessiva. Em nota e em entrevistas, o presidente da Unafisco, Kléber Cabral, lembrou que a investigação se apoia em inquérito aberto há quase sete anos – o das fake news – e citou dois auditores que já haviam sido investigados em 2019, por ordem de Moraes, sem qualquer prova concreta. Após o arquivamento, os servidores foram reintegrados.

Cabral chegou a afirmar que investigar “altas autoridades da República” representa risco maior do que apurar membros do PCC, a maior facção criminosa do país. A declaração motivou nova investigação contra ele, com determinação de Moraes para que prestasse depoimento à Polícia Federal.

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