Gazeta do Povo / Reprodução

A Polícia Federal intensificou a investigação envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com foco em diversas linhas de investigação que surgiram após documentos encaminhados ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Segundo a Gazeta do Povo, a investigação atual concentra-se na mudança de Lulinha para a Espanha, sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, pagamentos suspeitos de viagens e a existência de uma empresa de gaveta criada no início do ano.

A decisão do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, de não dar continuidade à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso, que teria ocorrido em meados de 2026, foi revertida pelo STF, sob o comando do ministro André Mendonça, que determinou uma extensão de 60 dias para a continuidade da investigação. A Polícia Federal, em paralelo à CPMI, busca esclarecer a saída de Lulinha do Brasil, levantando a hipótese de uma tentativa de evitar o alcance das investigações das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Um dos pontos centrais da investigação é a relação entre Lulinha e o “Careca do INSS”, apontado como o operador central das fraudes que afetaram milhões de beneficiários do sistema previdenciário. A defesa de Lulinha contestou a interpretação da PF sobre a viagem a Portugal, em 2024, com o “Careca do INSS”, onde o objetivo seria conhecer um projeto de canabidiol medicinal, com análises de áreas para instalação de uma unidade produtiva. A defesa argumenta que não houve participação em negociações ou investimentos.

A investigação também revela que Lulinha manteve contato com o “Careca do INSS”, classificando a relação como esporádica e de natureza social, conforme declarado em manifestação formal ao STF. No entanto, os investigadores apuram a hipótese de que iniciativas empresariais poderiam ter sido utilizadas para ocultar recursos provenientes das fraudes. A análise de movimentações bancárias não identificou transferências que comprovassem supostos pagamentos mensais a Lulinha, mas a PF busca identificar possíveis triangulações ou intermediários.

A defesa de Lulinha negou qualquer irregularidade, afirmando que a agência que realizava emissões de passagens prestava serviços à empresária Roberta Luchsinger e sua família, sem vínculo com o esquema investigado. A empresa de “gaveta” registrada em Madri, com capital inicial de cerca de R$ 20 mil, surgiu em meio às diligências da Polícia Federal, conforme revelou a Gazeta do Povo. A defesa alega que a abertura da companhia seguiu todos os trâmites legais e que o negócio ainda não está em operação.

A CPMI, que havia aprovado a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha em fevereiro de 2026, teve a medida suspensa pelo STF, devido a irregularidades na aprovação. A oposição tentou convocar Lulinha para depor, mas a tentativa foi rejeitada pela base governista, que argumentou a ausência de provas concretas. Apesar disso, o tema permaneceu no centro das discussões, com a investigação ainda em andamento.

O presidente Lula afirmou que, se seu filho tiver envolvimento nas fraudes do INSS, será investigado e pagará o preço, ressaltando que a lei vale para todos, sem proteção especial. No entanto, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que diz representar Lulinha, criticou a atuação da PF, classificando as acusações como baseadas em suposições e interpretações forçadas, e alertou sobre o vazamento de informações do caso, que ele considera ilegal e prejudicial à credibilidade do processo.

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