A Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima, tem recebido pedidos de detentos para suspender a gravação de conversas com seus advogados no parlatório. A iniciativa surge após a decisão judicial que beneficiou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a O Antagonista, pelo menos dez pedidos recentes foram encaminhados à Polícia Penal Federal (PPF). O órgão, vinculado ao Ministério da Justiça, se manifestou contra qualquer flexibilização da regra de gravação. A corporação entende que a medida é crucial para impedir a disseminação de informações ilícitas provenientes das unidades prisionais.
A PPF acredita que a interrupção do monitoramento poderia facilitar o envio de mensagens, ordens e articulações com organizações criminosas fora dos muros dos presídios. A negativa segue o mesmo caminho do caso Vorcaro, onde o ministro André Mendonça, do STF, concedeu autorização para a ausência de gravação, a pedido da defesa do ex-banqueiro, no contexto de uma possível colaboração premiada.
O movimento para obter o mesmo direito tem se espalhado entre os detentos, com o objetivo de assegurar o sigilo na comunicação com seus advogados. Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), está entre os solicitantes e sua defesa já anunciou a intenção de recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso o pedido seja rejeitado administrativamente.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reiterou o apoio às prerrogativas da advocacia no debate sobre a gravação de conversas em presídios federais. Ele mencionou o caso Vorcaro, destacando que o Estatuto da Advocacia garante a inviolabilidade das conversas entre cliente e advogado, uma questão já levada aos tribunais em diversas ocasiões.









