Governo da Índia/Wikimedia Commons

A ambição dos Brics de desafiar o G7 está sendo seriamente colocada em xeque por conflitos internos acentuados, revelando as fragilidades de uma aliança que busca, em teoria, representar um polo alternativo de poder econômico. Segundo a Gazeta do Povo, o ditador russo, Vladimir Putin, afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) somado dos países integrantes do bloco já superava o do G7, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Em 1992, a participação do G7 e dos países dos Brics no PIB global era de 45,5% e 16,7%, respectivamente, em Paridade do Poder de Compra (PPC). Putin destacou que, em 2023, a associação detém 37,4% do PIB global, enquanto o Grupo dos Sete possui 29,3%, e que essa diferença está em constante aumento, com projeções de que continuará a aumentar.

O líder do Kremlin enfatizou que os países que compõem a associação são os “motores do crescimento econômico global” e que o principal aumento do PIB global será gerado nos Brics em um futuro próximo. A expansão do bloco, formalizada em agosto de 2023, durante a cúpula em Joanesburgo, na África do Sul, com a entrada de Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã, e com a perspectiva de inclusão da Indonésia em 2025, intensificou as divergências internas. A Argentina e a Arábia Saudita, também aprovadas na leva de 2023, não ingressaram no bloco devido às decisões do governo de Javier Milei e à posição da Arábia Saudita como aliado dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.

A reunião dos ministros das Relações Exteriores dos Brics em Nova Délhi, na Índia, no último dia 15, evidenciou a falta de convergência sobre a guerra no Irã, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, pedindo a condenação dos Estados Unidos e Israel, e o Irã acusando os Emirados Árabes de ajudar na “agressão” contra o regime persa. A disputa entre Egito e Etiópia, referente à barragem do rio Nilo Azul, também gerou tensões, com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatty, e o ministro dos Transportes, Kamel al-Wazir, se reunindo com o ditador da Eritreia, Isaias Afwerki, e a assinatura de um acordo de cooperação em transporte marítimo, que gerou uma clara provocação à Etiópia, que perdeu seu litoral com a independência da Eritreia.

Análises sobre o cenário apontam que as divergências entre os países membros dos Brics, especialmente entre os novatos, revelam as dificuldades em construir uma aliança unificada e com uma agenda política consistente. Como apurou a Gazeta do Povo, o colunista do Financial Express, Mir Mostafizur Rahaman, diagnosticou que as divisões na reunião de Nova Délhi expuseram como os Brics estão distantes da “visão romântica” de uma aliança antiocidental “disciplinada”. O professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Cleiton Vinícius Pegoraro de Araújo, questionou a capacidade de Rússia e China de elevar os Brics a um papel de antagonismo em relação ao G7.

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