Gazeta do Povo / Reprodução

O projeto de Ratinho Junior para uma candidatura à Presidência da República, inicialmente delineado para o ano passado, visava um confronto direto com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como principal representante da direita no cenário político. A entrada de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa alterou significativamente as perspectivas de ganhos e perdas para o governador do Paraná, complexificando as chances de sucesso.

Segundo a Gazeta do Povo, a conjuntura atual, com Lula em 37% das intenções de voto e Flávio em 30%, coloca Ratinho Junior em uma situação inviável de avançar para o segundo turno e alcançar o Palácio do Planalto nas eleições de 2026. A trajetória eleitoral do candidato do PSD não demonstra, neste momento, a capacidade de alcançar esse objetivo.

Ratinho Junior descartou a possibilidade de uma disputa ao Senado Federal, reafirmando seu foco no Poder Executivo. Diante da impossibilidade de se reeleger como governador do Paraná devido ao limite de dois mandatos consecutivos, o candidato do PSD tem duas opções: se tornar cabeça de chapa ou aceitar uma vice-presidencial. Ele já negou uma proposta da campanha de Flávio Bolsonaro.

Com o prazo final para iniciar a pré-campanha presidencial estabelecido em 4 de abril, Ratinho Junior busca atrair o eleitorado de centro, que demonstra insatisfação com a polarização. Seu discurso enfatiza a moderação, rejeitando a ideia de uma terceira via. Como apontado por Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, existe um crescente cansaço da polarização e uma decepção dos eleitores liberais de centro com as candidaturas de Lula e Bolsonaro.

Apesar dessa percepção, a tração eleitoral ainda pode ser insuficiente, levando Ratinho Junior a ficar à margem da disputa. Uma possível negociação de apoio no segundo turno em troca de posições estratégicas em um futuro governo da família Bolsonaro surge como uma alternativa. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, também estaria aberto a essa possibilidade, com cargos como a diretoria-geral de Itaipu Binacional em consideração.

A proximidade de Flávio Bolsonaro com Sergio Moro (União Brasil), que se filiará ao PL na próxima terça-feira (24), intensificou as negociações em âmbito local. A busca por palanque no Paraná e a definição de um candidato para a sucessão no Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense, se tornaram prioridades.

Ratinho Junior pode ganhar visibilidade com uma campanha presidencial, mesmo que não vença a eleição. Segundo Consentino, a visibilidade proporcionada pela disputa nacionaliza o nome do candidato para 2030 e fortalece o partido no pleito para a Câmara dos Deputados, garantindo uma bancada importante de deputados federais.

Ratinho Junior possui uma longa trajetória na política, tendo sido eleito a um cargo público pela primeira vez em 2002. Após acumular mandatos como deputado estadual e federal, retornou à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e, em 2018, foi eleito governador, sendo reeleito em 2022. Para o professor do Insper, “Ficar sem mandato político, por 4 anos, é algo bastante arriscado e teria que pesar muito bem os prós e contras da aventura presidencial”.

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