O Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise política e administrativa, caracterizada pela ausência de titulares em ambos os poderes, Executivo e Legislativo. Segundo a Gazeta do Povo, essa situação surgiu após a declaração de inelegibilidade do (ex) governador Cláudio Castro (PL) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consequência de sua renúncia para buscar uma vaga no Senado nas eleições deste ano.
O “efeito dominó” se intensificou com a falta de um vice de plantão – Thiago Pampolha (União Brasil) havia renunciado antes de Castro e assumido uma posição no Tribunal de Contas do Estado – e o afastamento e prisão de Rodrigo Bacellar (União Brasil), então presidente da Assembleia Legislativa, por suspeita de divulgar informações para a facção criminosa Comando Vermelho.
A complexidade da crise é notável, especialmente considerando o histórico recente do estado, marcado por prisões e acusações de corrupção envolvendo ex-governadores desde a redemocratização. A Gazeta do Povo relata que a situação é agravada pela possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre a solução do “pepino” do mandato-tampão, com duas opções em análise: julgamento no plenário da Corte suprema, marcado para o dia 8, ou a regência do desembargador Ricardo Couto Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que se encontra exercendo funções emergenciais.
Diante da vaga na vice-governadoria, o estado deverá realizar uma eleição suplementar até o fim de 2026 para definir o chefe do Executivo, conforme aprovou uma lei na Assembleia Legislativa. No entanto, o PSD, partido do pré-candidato nas eleições gerais, Eduardo Paes, prefeito do Rio, contestou a norma no STF, resultando na suspensão da eleição indireta até que a questão seja julgada.
Como reportado pela Gazeta do Povo, a sucessão de eventos na degradação institucional no estado tem sido célere, com a crise sendo gestada também no Poder Legislativo estadual. Rodrigo Bacellar (União Brasil), antes considerado o candidato de Cláudio Castro ao governo do Rio, foi preso pela segunda vez pela Polícia Federal, na casa em Teresópolis, sob a acusação de atuar como informante para o crime organizado.
O STF autorizou a prisão preventiva de Bacellar, que perdeu o foro privilegiado e a prerrogativa de ter sua prisão revisada pelos colegas de plenário, após a cassação do seu mandato por abuso de poder político e econômico, motivado por esquemas de contratações irregulares via Fundação Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) nas eleições de 2022.
A tentativa da base governista de reagir ao vácuo deixado por Bacellar foi breve e ineficaz. O deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj com 45 votos, porém, a manobra foi anulada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, do Tribunal de Justiça do estado (TJ-RJ), devido a uma falha formal na aprovação da eleição.
Com a anulação da eleição de Ruas, a composição da Alerj se tornou instável, com o comando interino retomado por Guilherme Delaroli (PL), enquanto o estado permaneceu sob a regência do Judiciário. O cenário evoca um sentimento de déjà vu amargo para o eleitor fluminense, que tem sido marcado por intervenções federais, impeachments e operações policiais que atingem o coração do poder.
Desde a redemocratização, o Rio de Janeiro tem se mostrado preso em um ciclo vicioso de crises institucionais. A Gazeta do Povo lista uma galeria de ex-governadores que enfrentaram processos judiciais, prisões e acusações de corrupção, incluindo Pezão, que foi absolvido das acusações de corrupção, e Wilson Witzel, que sofreu impeachment em 2022, sendo o primeiro governador na Nova República a ser afastado por suspeita de corrupção.









