O Senado enfrenta um novo capítulo de tensão com a possível tramitação da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1, uma iniciativa impulsionada pelo governo Lula e que já gerou divergências significativas entre o Palácio do Planalto e as lideranças senacionais. O presidente Davi Alcolumbre (União-AP) planeja reunir os líderes partidários para estabelecer um cronograma urgente, mas a proposta enfrenta resistência em busca de uma análise mais criteriosa.
Segundo a Revista Oeste, a PEC aguarda decisões estratégicas desde sua aprovação na Câmara dos Deputados e o presidente do Senado se mostra cauteloso com uma celeridade que possa ignorar os impactos da medida no mercado de trabalho. Alcolumbre já declarou explicitamente que não há intenção imediata de levar a proposta ao plenário, insistindo em que passará pelas comissões para um estudo mais profundo e possivelmente alterações significativas do conteúdo original. Essa postura demonstra uma clara oposição à prática de transformar aprovações legislativas em meros “carimbós” das decisões da Câmara.
A iniciativa governamental, vista como prioridade no Palácio do Planalto, busca mobilizar setores eleitorais com a promessa de benefícios econômicos e sociais. Entretanto, essa pressa para avançar com uma proposta que pode gerar consequências negativas para trabalhadores enfrenta oposição dentro do próprio Senado. A recente rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF já acirrou as tensões entre Alcolumbre e o governo Lula, evidenciando um cenário de disputas políticas internas no Congresso Nacional.
Em contrapartida à PEC 6×1, a Comissão Constituição e Justiça (CCJ) discute um projeto alternativo que propõe remuneração proporcional às horas trabalhadas – uma alternativa apresentada pela oposição para mitigar os efeitos da extinção do regime de seis dias. O presidente dessa comissão, Otto Alencar (PSD-BA), será responsável por designar o relator e a dinâmica entre as duas propostas promete ser central na definição do rumo final da tramitação legislativa no Senado.









