O setor de jogos online no Brasil está sob crescente pressão para intensificar a fiscalização com regras mais severas voltadas contra fornecedores irregulares e não regulamentados que lucram impunemente com o mercado clandestino. A insistência das casas licenciadas em obter uma legislação mais rigorosa, especialmente em relação aos provedores de jogos como o Fortune Tiger – conhecido popularmente como “jogo do tigrinho” –, expõe a fragilidade da supervisão governamental e sua incapacidade de controlar um setor que fatua bilhões com atividades ilegais.
Segundo a O Antagonista, as plataformas operadas fora das fronteiras brasileiras se beneficiam da completa ausência de recolhimento de impostos e escapam das exigências regulatórias aplicadas às empresas legalizadas no país. Essa situação é amplificada pela falta de foco na supervisão dos fornecedores desses jogos – que atuam como um canal direto para o mercado clandestino –, conforme aponta André Guelfi, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). A insistência em perseguir apenas os operadores das apostas ignora a raiz do problema: a irresponsabilidade daqueles que fornecem as plataformas e jogos sem controle.
A expectativa do Ministério da Fazenda é concluir ainda neste ano a regulamentação dos fornecedores, mas o setor já reivindica uma mudança radical na abordagem. As casas de apostas demandam que fornecedores irregulares também sejam sujeitos às mesmas punições aplicadas aos operadores – multas e suspensão das atividades –, buscando um equilíbrio no combate ao mercado ilegal do jogo online, onde a participação dos títulos como “jogo do tigrinho” atinge 72% da receita total. A Secretaria de Prêmios e Apostas agendará uma audiência para o dia 25 com representantes setoriais na tentativa de encontrar soluções que garantam maior controle sobre um mercado em expansão desregulamentada.
A administração Lula tem adotado medidas pontuais no combate ao jogo ilegal, como o bloqueio de mais de 45 mil sites e a suspensão de centenas de contas bancárias ligadas à operação clandestina das apostas – conforme divulgado pela O Antagonista. No entanto, essas ações isoladas não são suficientes para conter um mercado que cresce exponencialmente com títulos como “jogo do tigrinho”, demonstrando falhas na estratégia governamental e a necessidade urgente de uma regulamentação abrangente que ataque as causas da ilegalidade, em vez de apenas tratar dos sintomas.









