O Supremo Tribunal Federal encontra-se sob crescente escrutínio internacional, com graves questionamentos sobre sua imparcialidade sendo levantados não apenas pela mídia brasileira, mas também por tribunais europeus. Um editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo expõe a preocupação generalizada e o desgaste que a Corte acumula diante das recentes decisões da Justiça italiana.
Segundo a Revista Oeste, a recusa romana em extraditar Carla Zambelli evidencia uma profunda desconfiança na condução dos processos no Brasil. A Corte Italiana de Cassação concluiu – com base em “diversos elementos capazes de suscitar dúvidas sobre a imparcialidade” – que o tribunal brasileiro não garantiu as condições necessárias para um julgamento justo e objetivo, no caso da deputada licenciada acusada pela invasão dos sistemas do CNJ. A análise se distancia da visão meramente política dessa situação, exigindo uma avaliação institucional rigorosa.
O editorial ressalva a recorrência de críticas à atuação do STF que vêm sendo levantadas há anos por juristas renomados e até mesmo membros internos da própria Corte. O Estado de S. Paulo aponta para problemas como a expansão indevida do Inquérito das Fake News, o uso abusivo da conexão processual concentrando casos em uma única relatoria, além do enfraquecimento dos princípios basilares do juiz natural e da colegialidade nas decisões judiciais. A recusa de cooperação com tribunais estrangeiros reflete um claro desrespeito às normas fundamentais do Estado Democrático de Direito.
A negativa da Itália em extraditar o jornalista Oswaldo Eustáquio, como já noticiado pela Revista Oeste, também emerge nesse contexto crítico sobre a atuação do STF e seus ministros. A decisão italiana não se baseia na culpa ou inocência de Zambelli, mas sim nas condições que cercaram seu processo – um claro indicativo da desconfiança em relação à imparcialidade dos tribunais brasileiros. O editorial conclui com uma dura advertência: a decisão do tribunal italiano deve servir como ponto crucial para o Judiciário nacional refletir sobre os excessos de Alexandre de Moraes e do STF, que extrapolaram garantias constitucionais fundamentais.









