Após semanas de promessas firmes aos iranianos de que o apoio americano está a caminho, com uma frota naval posicionada para ação decisiva, o presidente Donald Trump agora direciona esforços para uma cúpula diplomática em Istambul nesta sexta-feira. Especialistas alertam que, sem respaldo em medidas concretas, essas advertências podem minar a autoridade dos Estados Unidos, ecoando o dilema vivido por Barack Obama em 2013, quando evitou ataques à Síria apesar de traçar uma “linha vermelha” contra armas químicas – uma escolha que críticos veem como sinal de fraqueza que incentivou adversários.
Ao ameaçar uma resposta com “velocidade e fúria” contra um regime acusado de massacrar milhares de manifestantes, Trump estabeleceu um limite claro. A decisão de Obama por negociações em vez de intervenção militar foi criticada por enfraquecer a dissuasão americana, embora defensores argumentem que evitou um conflito maior e removeu parte do arsenal químico sírio. Trump enfrenta debate similar ao ponderar se cumpre suas palavras contra o Irã.
Os enviados americanos se reúnem com autoridades iranianas para exigir o fim do programa nuclear, restrições a mísseis balísticos e cessação de apoio a grupos como Hamas e Hezbollah – condições que Teerã não demonstra aceitar publicamente. Trump também cobra o término da repressão violenta aos protestos. No entanto, sinais de tensão surgem: o Irã pede mudança do local para Omã, o que pode atrasar ou comprometer o encontro.
Conflitos persistem no terreno, mesmo com o foco diplomático. Nesta semana, forças americanas abateram um drone iraniano que se aproximou agressivamente do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar da Arábia, após ignorar alertas. Horas depois, barcos iranianos assediaram um navio-tanque americano no Estreito de Ormuz, exigindo intervenção do destróier USS McFaul para escoltá-lo em segurança. O Comando Central dos EUA advertiu que tais provocações elevam riscos de erros e instabilidade regional.
Analistas estrangeiros rejeitam a ideia de que a pausa signifique recuo, apontando que movimentos de tropas indicam preparação. “Com o acúmulo de forças, os EUA ganham mais opções, não menos”, avalia Gregg Roman, do Middle East Forum. Rich Goldberg, ex-funcionário do Conselho de Segurança Nacional de Trump, vê o momento como teste: “Eles desafiam o presidente a não repetir Obama na Síria”. Trump reuniu-se com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Davos, descrevendo o diálogo como positivo, e incentivou protestos iranianos, prometendo “ajuda está a caminho”.









