Gazeta do Povo / Reprodução

A Ucrânia tem desempenhado um papel crucial no apoio aos Estados Unidos e a outros aliados ocidentais no conflito com o Irã, que se estende há três semanas. Segundo a Gazeta do Povo, Kiev tem compartilhado sua expertise em interceptar drones russos, auxiliando na neutralização dos temidos drones Shahed iranianos.

Rustem Umerov, presidente do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, detalhou que especialistas militares ucranianos estão atuando em países do Oriente Médio como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Jordânia. A Ucrânia instalou unidades de interceptação na região, com o objetivo de proteger infraestruturas civis e estratégicas, expandindo essa rede de proteção.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, complementou, indicando que além da construção de um sistema de defesa, Kiev está fornecendo avaliações especializadas na área. Ele também afirmou que o país recebeu solicitações de apoio especializado dos EUA e de parceiros europeus, com forças baseadas na região.

Zelensky enfatizou o compromisso da Ucrânia em estabilizar a situação no Irã, considerando-a de importância global para os mercados de petróleo e gás, e, portanto, para a formação de preços, especialmente na Europa e na Ucrânia. Ele classificou a campanha do regime iraniano como “terrorista” e “cúmplice de longa data da Rússia”.

Em entrevista à BBC, Zelensky expressou preocupações sobre o impacto da guerra no Irã para os Estados Unidos, destacando que para o presidente russo Vladimir Putin, uma longa guerra no Irã representa uma vantagem, elevando os preços da energia e potencialmente esgotando as reservas americanas de armamentos. Ele mencionou que, no primeiro dia do conflito, foram utilizados 803 mísseis Patriot.

Conforme reportado pela Gazeta do Povo, o coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, colunista do veículo, concordou com a avaliação de Zelensky, ressaltando que a Rússia se beneficia do conflito no Irã, visto que, se a guerra se prolongar, seus ganhos aumentarão para financiar sua economia de guerra.

Frederico Dias, professor de relações internacionais do Ibmec Brasília, argumenta que a Ucrânia reforça sua percepção como um parceiro estratégico de longo prazo, ao oferecer conhecimento militar relevante no campo emergente da guerra de drones.

Eduardo Galvão, professor de políticas públicas do Ibmec Brasília, avalia que Zelensky busca garantir continuidade no fluxo de apoio militar e influenciar as condições de negociação com a Rússia, em um momento em que o presidente americano Donald Trump se queixa da falta de ajuda dos aliados da Otan. No entanto, o analista adverte que essa tática tem limites, e a postura americana nas negociações continua guiada por cálculos de custo, tempo e interesse.

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