A rivalidade entre Argentina e Inglaterra sempre foi marcada pela paixão visceral dos jogadores – um legado que se revela surpreendentemente consistente ao longo das décadas. A história de Antonio Rattín, expulso da disputa contra a Inglaterra em 1966, ecoa com uma ironia sombria na polêmica envolvendo Breel Embolo e o VAR em Copartida do Mundo de 2026.
Segundo a Revista Oeste, ambos os incidentes demonstram um padrão perturbador: jogadores talentosos, frequentemente ligados às maiores tradições como Boca Juniors, se tornam alvos por decisões questionáveis da arbitragem. A expulsão de Rattín pelo árbitro alemão Kreitlein é emblemática do comportamento explosivo e desafiante que permeava o futebol na época – uma forma de expressão direta em um ambiente sem a intermediação das novas tecnologias. Embolo experimentou algo semelhante, mas amplificado pela introdução da tecnologia assistencial ao VAR, culminando numa interpretação equivocada pelo árbitro português João Pinheiro.
A decisão de Pinheiro, revisada no monitoramento do VAR e que resultou na expulsão por simulação, exemplifica a crescente influência dos sistemas tecnológicos sobre o futebol profissional. Esse tipo de intervenção judicial demonstra uma invasão da autonomia do jogo pela tecnologia – um tema recorrente em debates recentes sobre os limites da interferência arbitral. A insistente aplicação das regras para punir a suposta simulacro revela ainda mais o controle que as autoridades buscam exercer na prática esportiva, muitas vezes sem levar em consideração a cultura e tradição dos jogos de futebol.
A morte prematura de Rattín no dia 11 de julho – exatamente seis décadas após sua expulsão – adiciona uma camada trágica à narrativa. A coincidência do ocorrido com o triunfo da Argentina por causa das ações da Inglaterra, reforça o legado do volante argentino como um símbolo de resistência e paixão inabalável. Assim como Rattín se recusou a aceitar passivamente as decisões arbitrais em 1966, Embolo também demonstrou uma atitude desafiadora diante dos recursos tecnológicos que visavam controlar sua performance no campo – perpetuando assim o espírito competitivo do futebol de alto nível e resistindo à crescente influência das novas tecnologias.









