Rodrigo Fonseca/Câmara de Vereadores de Curitiba

O esquema de corrupção que emerge nos bastidores da administração municipalista curitibana levanta sérias questões sobre o uso indevido do poder público e a perpetuação de práticas ilegais no coração da cidade. Segundo apuração da Gazeta do Povo, um complexo sistema de venda de cargos comissionados tramava na Câmara Municipal e nos órgãos executivos locais, envolvendo figuras-chave como o vereador Tico Kuzma, presidente da câmara.

A operação Prática Corrente, deflagrada pela justiça paranaense, expõe uma rede que comercializaria posições estratégicas por valores entre R$ 3 mil a R$ 6 mil – um preço alarmante para ser pago em troca de influência política e garantia permanência na máquina pública sem critérios meritocráticos. A prática conhecida como “rachadinha”, onde parte do salário mensal era desviada para políticos, demonstra uma grave falta de ética e transparência na gestão dos recursos públicos da capital paranaense.

A investigação inicial, iniciada há aproximadamente um ano e meio a partir de denúncias anônimas ao Ministério Público, intensificou-se após as eleições municipais de 2024. O Grupo de Atuação Especializada Contra o Crime Organizado (Gaeco) está conduzindo buscas por provas que comprovem a extensão do esquema. A apreensão de R$37.5 mil em dinheiro vivo na residência de um servidor investigado agrava ainda mais os fatos, evidenciando uma movimentação ilícita com recursos públicos no momento exato da campanha eleitoral municipalista.

O vereador Tico Kuzma, visivelmente desconfortável diante das acusações, declarou que não teve acesso aos detalhes completos do inquérito em sigilo e se mostrou “tranquilo” para colaborar com a justiça ao mesmo tempo em que levantou suspeitas de motivação política na investigação. A postura evasiva da figura pública levanta questionamentos sobre sua possível envolvimento no esquema – uma situação complexa, dada a fase investigatória ainda preliminar.

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