O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em audiência na Câmara dos Deputados, argumentou que o plano diplomático do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 poderia ter evitado a atual crise envolvendo o Irã. Segundo a Gazeta do Povo, Vieira afirmou que a Declaração de Teerã, articulada por Brasil e Turquia, teria impedido o acúmulo de material nuclear enriquecido a níveis atuais.
O ministro destacou que a proposta, que previa o envio de 1.200 kg de urânio pouco enriquecido para a Turquia sob supervisão internacional, em troca de combustível nuclear com acompanhamento da Agência Internacional de Energia Atômica, buscava diminuir o estoque sensível do Irã e criar um mecanismo de confiança. A iniciativa, conforme reportado pela Gazeta do Povo, visava evitar sanções e escalada diplomática.
No entanto, a Declaração de Teerã não conseguiu conter o avanço do programa nuclear iraniano, sendo considerada insuficiente pelas potências, especialmente os Estados Unidos. O governo Lula, através de ações na ONU e pressão para impedir mandados de busca internacionais, também dificultou negociações conduzidas pelos EUA.
Documentos da diplomacia americana revelados pelo WikiLeaks mostram que, desde 2005, o então chanceler Amorim já manobrava para dificultar as negociações entre EUA e Irã. Um relatório de julho de 2008, como apontou a Gazeta do Povo, alertava para o esforço do Irã em expandir sua influência na América Latina, incluindo o Brasil, em oposição aos Estados Unidos. O ministro Vieira criticou o padrão de comportamento dos Estados Unidos em processos de mediação internacional, citando a recusa em honrar os entendimentos alcançados com Lula no caso da Declaração de Teerã, inclusive com uma carta do então presidente Barack Obama.









