A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, intensificou esforços para formalizar uma delação premiada nos próximos dias. A pressa na conclusão da proposta se deve a uma ação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode restringir ainda mais as condições desse tipo de acordo.
Segundo a Revista Oeste, a situação ganhou urgência devido ao avanço de um processo movido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na Corte, que pode impactar diretamente a estratégia jurídica da defesa. O caso já foi encaminhado para análise pelo ministro Alexandre de Moraes.
Um dos pontos centrais da discussão é a possibilidade de o STF proibir o uso de declarações de delatores como base exclusiva para buscas e apreensões. Essa mudança representaria um obstáculo para a defesa, que busca acelerar o processo e buscar um pedido de habeas corpus para o empresário.
A defesa também demonstra preocupação com a discussão sobre delações cruzadas, incluindo a negociação entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. A ação do PT sugere que colaborações conjuntas não terão valor probatório sem a apresentação de evidências adicionais.
Vorcaro está na segunda fase das negociações da delação premiada. Em 19 de março, ele assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), logo após a manutenção de sua prisão pela Segunda Turma do STF.
Pela primeira vez, a PF e o MPF estão conduzindo conjuntamente uma negociação de delação premiada, buscando evitar fragilidades que possam comprometer a validade do acordo.
A legislação não estabelece prazo para a formalização dos anexos após o início das negociações. Diante da entrega dos elementos e de uma avaliação preliminar positiva, o acordo deverá ser encaminhado para homologação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Apesar da mobilização da defesa, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal avaliam que o acordo dificilmente será concluído em curto prazo. A complexidade do caso exige a análise detalhada dos diversos anexos e a verificação das declarações e provas apresentadas.
Ademais, a necessidade de apresentação de novos fatos relevantes é um entrave. O relato isolado de Vorcaro não será suficiente para viabilizar a colaboração. A PF analisa dados extraídos de oito celulares apreendidos em diferentes fases da investigação, incluindo operações realizadas em São Paulo em março.
Para avançar no acordo, o ex-banqueiro também deverá indicar nomes de pessoas que ocupariam posições de liderança na suposta organização criminosa.
A Revista Oeste revelou que Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a carceragem da PF, em um local com regras mais flexíveis para o acesso de advogados, facilitando a preparação da proposta de delação.
Preso preventivamente desde 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro é investigado por vender carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília. Ele também é apontado como possível líder de uma organização criminosa com um braço armado para intimidar adversários.









