Gazeta do Povo / Reprodução

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, terá sua elegibilidade suspensa até 2030, o que impacta sua possível candidatura a senador na próxima legislatura. Segundo a Gazeta do Povo, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) veio na última terça-feira e representa um revés para o Partido Liberal (PL), que contava com o apoio do político para uma estratégia de contenção de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

O PL buscava, através da presença de um número significativo de senadores alinhados com a direita, fiscalizar o Supremo e, se necessário, iniciar um processo de impeachment de seus ministros. A expectativa era que, com Castro no Senado, o partido pudesse exercer maior influência nas decisões do STF, buscando um equilíbrio entre os poderes.

Castro, que já anunciou seu recurso da decisão do TSE, pretende concorrer à senadoria mesmo com a inelegibilidade imposta, utilizando a situação para tentar obter apoio popular. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que o partido só permitirá que Castro seja candidato se a decisão do TSE for revertida, e o partido divulgou comunicados de apoio ao ex-governador.

A situação levanta questões sobre o futuro da disputa eleitoral no Rio de Janeiro. Sem Castro na disputa, o PL e a base de apoio de Flávio Bolsonaro correm o risco de perder ambas as vagas do estado no Senado. O nome que surge como substituto é o do delegado Felipe Curi, que ganhou destaque após a operação policial que resultou na morte de 122 suspeitos ligados ao Comando Vermelho.

De acordo com a pesquisa do Instituto Real Time Big Data, divulgada em 11 de março, Cláudio Castro registrou entre 11% e 36% das intenções de voto, enquanto Márcio Canella (União Brasil) somou no mínimo 5% e no máximo 9%. A pesquisa, com 2.000 entrevistas realizadas nos dias 9 e 10 de março, teve uma margem de erro de dois pontos percentuais e um índice de confiança de 95%, estando registrada no TSE sob o número BR-04367/2026.

A professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, analisa o cenário, destacando que Curi, um policial sem base eleitoral consolidada, representa um desafio para a estratégia do PL. “Curi ainda não deram demonstrações inequívocas”, completa.

A composição atual do Senado do Rio de Janeiro, com Bruno Bonetti, Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho, é de extrema importância para a política nacional. Estarão em disputa em outubro dois terços (54) das 81 vagas do Senado. As vagas de Flávio e Portinho serão preenchidas, enquanto a de Bonetti (ou Romário, quando reassumir) está garantida até o início de 2031, já que os mandatos são de oito anos e este começou em 2023.

O TSE é composto por sete ministros, dos quais três também são ministros do STF: na composição atual, Cármen Lúcia, que preside o TSE, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. O julgamento pelo TSE do processo em que Castro era acusado de abuso de poder político e econômico e captação ilícita de recursos na eleição de 2022 começou em 5 de novembro de 2025, quando a ministra relatora, Isabel Gallotti, deu seu voto, o primeiro pela cassação e inelegibilidade do então governador.

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