Os sinos ecoam no coração de Curitiba há mais de três séculos, um testemunho da fé e da história da cidade. A Gazeta do Povo revelou que três importantes marcos religiosos – a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, a igreja do Senhor Bom Jesus dos Perdões e a igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas – se encontram no centro da capital, moldando a paisagem social e espiritual da região.
A Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, segundo o arquiteto especialista em artes sacras Tobias Bonk Machado, é o templo mais antigo da tríade. A construção da capela original, que deu origem à igreja, remonta a 1737, período em que a região ainda não ostentava o nome de Curitiba. Machado explica que, antes da denominação atual, uma gruta de pedra servia como espaço de culto para os primeiros moradores, e a Capela do Terço, construída pelos franciscanos, consolidou a vida religiosa da comunidade.
A Catedral Basílica Menor, inaugurada em 1893, representa um marco arquitetônico notável. O edifício, seguindo o estilo neogótico, foi projetado pelo francês Alphonse Conde des Plas, com possíveis contribuições do italiano Luigi Pucci. A estrutura, com suas torres de 42 metros, permite a entrada de luz natural através de seus vitrais. O historiador Gabriel Forgati detalha que o estilo neogótico, caracterizado pelo arco ogival, otimiza a distribuição de peso e a entrada de luz, elementos centrais da estética.
Conforme apurou a Gazeta do Povo, a administração da Basílica Menor informa que a igreja possui capacidade para aproximadamente 480 pessoas e passou por uma última restauração em 2012. Um dos itens mais visitados é uma relíquia de São João Paulo II, uma cátedra utilizada pelo Papa em 1980 durante uma missa que reuniu mais de 700 mil pessoas. A cadeira, produzida entre as décadas de 1930 e 1940 em Curitiba, é feita de imbuia e considerada uma relíquia por ter sido usada pelo Papa.
A Igreja do Senhor Bom Jesus dos Perdões, localizada na Praça Rui Barbosa, surgiu como uma modesta capela em 1901, com a expansão da comunidade exigindo uma nova construção. A igreja, inaugurada em 1909, foi projetada pelo frei Feliciano Schlag, responsável por diversos templos franciscanos no Sul do país. A torre central, com 42 metros de altura, é semelhante à da Catedral, refletindo as tendências europeias e a chegada de imigrantes, principalmente italianos, poloneses, alemães e ucranianos.
A Gazeta do Povo também apurou que, ao longo do tempo, a igreja recebeu novos elementos, como sinos e um relógio, importados da Alemanha em 1933. Os sinos, dedicados a Jesus, São Francisco e Santo Antônio, foram produzidos pela Fundição Irmãos Müeller. A pintura original, de 1917, contou com a participação de Paulo Hauer, e a via sacra em relevo de gesso foi produzida pela fábrica Gerd Claassen e Kaminski, fornecedora de imagens religiosas para a cidade. Reformas posteriores, entre as décadas de 1960 e 1990, removeram e recuperaram elementos originais, buscando aproximar o templo de sua configuração histórica.









