A fragilidade dos Brics, impulsionados pela busca por um contrapeso ao domínio do G7, é alarmante, especialmente diante das tensões internas que ameaçam desmantelar o projeto. O bloco, composto por nações emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, busca desafiar a hegemonia das potências ocidentais, mas enfrenta um cenário de conflitos e descoordenações que minam sua força.
Segundo a Gazeta do Povo, disputas diplomáticas e militares entre os novos membros – Irã, Emirados Árabes, Egito e Etiópia – representam um obstáculo significativo à unidade do bloco. O crescente atrito entre Teerã e Abu Dhabi, alimentado por divergências em relação a Israel e aos Estados Unidos, demonstra a dificuldade de construir uma frente comum. Paralelamente, a rivalidade histórica entre o Egito e a Etiópia pelo controle do rio Nilo expõe as fragilidades de um grupo que se propõe a desafiar o status quo.
A hesitação em ampliar o grupo Brics também contribui para sua instabilidade. O cancelamento da adesão da Argentina pelo presidente Javier Milei, motivado por diferenças ideológicas, e a postura cautelosa da Arábia Saudita, aliada estratégica dos Estados Unidos, enfraquecem a imagem de um bloco coeso e sólido. Essas decisões, tomadas por líderes com visões distintas, dificultam a formação de uma agenda comum e a tomada de decisões conjuntas.
Apesar da soma do Produto Interno Bruto dos Brics ultrapassar a do G7, o grupo corre o risco de perder relevância se não conseguir superar as divergências internas. A dependência de um consenso entre os membros, que frequentemente prioriza os interesses nacionais acima da solidariedade do bloco, impede a emissão de declarações coordenadas sobre questões delicadas, como conflitos armados. A incapacidade de criar uma agenda clara para o grupo compromete sua capacidade de se apresentar como um rival real do G7 na governança global.









