A Câmara dos Deputados presenciou, na noite de quarta-feira, uma manobra ardilosa orquestrada pela esquerda, com o objetivo de sufocar uma possível ofensiva do Partido Liberal (PL) e outros setores da direita. A ação, segundo a Revista Oeste, visava neutralizar uma proposta que poderia ter gerado um grave constrangimento ao governo.
O PL, liderado pelo deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), tentou substituir o modelo de transição gradual, proposto pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA), por uma jornada de trabalho de quatro dias e três de folga, sem qualquer período de adaptação. Essa mudança drástica, que ignorava as preocupações com os impactos econômicos, representava uma ameaça à estabilidade do governo, que se via pressionado a escolher entre apoiar uma medida inviável ou votar contra uma proposta que, apesar de simbólica, era considerada altamente desfavorável aos trabalhadores.
Para impedir que a iniciativa do PL ganhasse força, a base governista agiu com rapidez, apresentando uma emenda aglutinativa praticamente idêntica ao texto original. Essa manobra, que consistia em alterar apenas detalhes cosméticos no texto da PEC, como a mudança de “60 dias” para “dois meses” e “12 meses” para “um ano”, teve um efeito estratégico decisivo. Ao aprovar a emenda como novo texto-base, os destaques apresentados anteriormente, incluindo o do PL e um do Psol, foram prejudicados regimentalmente, de modo que não puderam ser analisados no plenário da comissão.
A articulação da esquerda, liderada por parlamentares governistas, causou grande irritação entre a oposição, especialmente o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que acusou o governo de tentar manipular a narrativa da votação e “enganar os trabalhadores”. O deputado Nikolas também questionou a ausência de estudos econômicos detalhados e criticou o erro matemático em uma das versões do texto apresentado, ressaltando que a proposta original, que previa a jornada 4×3, não foi colocada em prática devido aos potenciais efeitos econômicos negativos.









