Waldemir Barreto/Agência Senado

A resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), expõe uma barreira significativa à pressão do governo Lula para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1. Segundo apurou a Revista Oeste, o parlamentar não demonstra intenção de acelerar o processo legislativo, mantendo-se firme no cumprimento das etapas regimentais do Senado Federal.

A estratégia do governo, liderada pelo ministro José Guimarães, buscava uma aprovação urgente da PEC, visando implementar a mudança trabalhista um mês antes das eleições de 2026, conforme o calendário já aprovado na Câmara dos Deputados. Contudo, Alcolumbre planeja discutir o calendário da PEC com líderes partidários na próxima semana, sinalizando a intenção de seguir integralmente as normas estabelecidas para a análise da proposta.

A oposição, representada por parlamentares críticos, tem reiterado preocupações sobre os potenciais impactos econômicos da medida, alertando para o risco de aumento de custos operacionais, repasse de preços aos consumidores, expansão da informalidade e demissões em setores dependentes de mão de obra intensiva. A postura de Alcolumbre, defendendo um processo legislativo mais técnico e menos suscetível a apelos políticos, reflete a tradição do Senado em analisar propostas com cautela e ponderação.

A alternativa apresentada pelo líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe flexibilização das relações de trabalho e a criação de um modelo opcional baseado em horas trabalhadas, emerge como uma tentativa de modificar o foco do debate. Essa proposta, já encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, visa deslocar a discussão para temas como produtividade, liberdade contratual e modernização das relações trabalhistas, buscando um caminho que evite os riscos associados à extinção da escala 6×1.

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