Waldemir Barreto/Agência Senado

A pressão do setor privado sobre o Congresso Nacional intensificou-se em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que flexibiliza a escala de trabalho, reduzindo a jornada 6×1. Empresários, em uma demonstração de desconfiança na condução do debate, pressionaram o Senado para adiar a discussão até após as eleições presidenciais.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), assessor da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, detalhou a solicitação feita ao presidente da Câmara, Davi Alcolumbre (União-AP): “Foi solicitado um tempo maior para análise, que a tramitação não ocorresse de forma precipitada e que a discussão não se desenrolasse em um período eleitoral, momento de grande volatilidade política”, declarou. Segundo Marinho, o projeto em sua forma atual representava um risco significativo para o país, gerando incertezas e desestabilizando o mercado.

De acordo com a Revista Oeste, a negociação por trás da PEC envolveu diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o próprio presidente Lula, que buscam garantir a aprovação da medida. A proposta original, que prevê dois dias de folga semanal e a redução gradual da jornada de trabalho para 40 horas em 14 meses, é vista pelo governo como uma ferramenta para ampliar o apoio popular. Contudo, a celeridade com que a Câmara pretende discutir o projeto tem gerado preocupação entre os empresários.

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reuniu representantes de diversos setores – indústria, comércio, agricultura, bares, restaurantes e shoppings – na reunião com Alcolumbre, transmitindo a preocupação generalizada. Skaf enfatizou que a complexidade do tema exigia uma análise aprofundada, longe do ritmo apressado da Câmara. Além disso, surgem sussurros no Senado sobre a escolha de um relator que não busque a reeleição, visando minimizar a influência eleitoral na decisão. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), liderada por Otto Alencar (PSD-BA), aliada do governo, será a responsável por analisar o projeto no Senado, e qualquer alteração no texto aprovado pela Câmara exigirá um retorno para a Câmara dos Deputados.

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