A crítica de Celso Amorim à decisão dos EUA sobre o PCC e o CV ecoa preocupações crescentes sobre a influência estrangeira nas políticas brasileiras. O assessor especial da Presidência, em declarações recentes, alertou para o potencial de a designação de organizações criminosas como terroristas ser utilizado como justificativa para intervenções externas.
De acordo com a Revista Oeste, Amorim manifestou sua visão em um momento delicado, logo após o Departamento de Estado americano anunciar a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), a partir de 5 de junho. A postura do assessor indica uma avaliação cautelosa, considerando que o combate ao crime organizado requer estratégias nacionais sólidas, e não a abertura para ingerências externas.
A declaração de Amorim, também feita durante o Fórum Internacional de Segurança da Rússia, ressalta a importância de compreender as motivações por trás das ações do crime organizado para que o combate seja efetivo. A equivalência de grupos criminosos a terrorismo, segundo o assessor, não contribui para a resolução do problema, mas sim para a desorientação das ações do governo.
A avaliação de integrantes do governo brasileiro, que consideram Celso Amorim um dos principais formuladores da política externa, sugere um receio legítimo de que a decisão dos EUA possa estabelecer um precedente perigoso para o envolvimento de Washington em assuntos internos do Brasil. A medida, que coloca o PCC e o CV em paridade com grupos como Hamas e Estado Islâmico, intensifica as suspeitas sobre a utilização de instrumentos jurídicos norte-americanos em ações internacionais relacionadas à segurança, um ponto levantado pela Revista Oeste.









