A decisão dos Estados Unidos de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como terroristas representa uma grave ameaça à soberania nacional, segundo observações internas ao governo Lula. A cúpula petista teme que a medida seja um pretexto para ingerência estrangeira em assuntos internos.
Segundo a Revista Oeste, o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, expressou sua insatisfação com a situação, classificando como inaceitável qualquer tentativa de justificar intervenção externa, mesmo que alegadamente motivada pela cooperação em combate ao crime organizado. Amorim ressaltou que a colaboração internacional deve ser buscada em questões específicas, como lavagem de dinheiro e tráfico de armas, sem abrir espaço para imposições de outros países.
O anúncio da classificação foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, através das redes sociais. A decisão, formalizada em comunicado do Departamento de Estado, eleva o PCC e o CV à categoria de “Terroristas Globais Especialmente Designados”, com previsão de inclusão como “Organizações Terroristas Estrangeiras” a partir de 5 de junho de 2026. O texto oficial destaca a atuação criminosa dos grupos, marcada por ataques contra autoridades e cidadãos brasileiros, além de sua influência em mercados ilícitos regionais.
A iniciativa surge em um momento delicado, após a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, onde manteve conversas com figuras-chave do governo Trump, incluindo Marco Rubio. Como apurou a Revista Oeste, Flávio e Eduardo Bolsonaro buscaram, junto ao governo americano, a adoção da classificação dos grupos criminosos, demonstrando uma preocupação com as implicações da decisão para o Brasil. O governo brasileiro, por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tentou, nos últimos meses, dissuadir os EUA de tomar a decisão, temendo que a medida representasse uma ameaça à soberania nacional.









