Reprodução/Redes Sociais

A soltura de Daiana Schuinsekel de Almeida, a empresária sob investigação por atos hediondos contra animais, levanta sérias questões sobre a aplicação da lei e a efetividade das políticas de proteção animal no estado de São Paulo. A liberdade concedida poucas horas após a prisão pela Polícia Civil, em um momento em que o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) havia anunciado um endurecimento das punições para casos de crueldade contra animais, demonstra uma falha na condução do caso que merece escrutínio.

Segundo a Revista Oeste, a empresária é acusada de produzir e vender vídeos de extrema violência contra animais, incluindo coelhos, gatos e pintinhos, submetidos a sessões de tortura e morte com o objetivo de obter lucro ilícito. A investigação revelou uma rede clandestina de distribuição desses conteúdos, com vendas para consumidores internacionais, atingindo valores entre 20 e 50 euros por vídeo. A prática, enquadrada como zoosadismo, associa a violência animal à excitação sexual, um comportamento repugnante que merece condenação máxima.

O governo Tarcísio de Freitas havia, em um esforço para reforçar o combate aos maus-tratos, decretado o endurecimento das penalidades administrativas, com multas que podem chegar a R$ 50 mil por animal vítima em situações de crueldade extrema, sofrimento intenso, abandono ou reincidência. Essa medida, claramente necessária, parece ter perdido força diante da soltura da investigada, gerando uma sensação de impunidade que corrói a confiança na justiça. A ação da Polícia Civil, ao liberar a suspeita sem a aplicação das novas sanções, enfraquece a mensagem de tolerância zero anunciada pelo governo.

A investigação, que teve início com uma denúncia de uma ONG da Bulgária à Polícia Federal, evidenciou a complexidade de combater crimes que se manifestam em escala internacional. A apreensão dos sapatos utilizados nas gravações e a coleta de senhas de dispositivos eletrônicos demonstram o esforço da Polícia Civil, mas não são suficientes para blindar o caso contra a aparente falta de rigor na aplicação da lei, um problema recorrente que precisa ser enfrentado com medidas mais eficazes e punições exemplares para crimes dessa magnitude.

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