Fernando Frazão/Agência Brasil

A tragédia de Larissa Amorim, uma jovem de 33 anos que sucumbiu à leucemia após quase dois meses de espera por um tratamento aprovado pelo SUS e determinado pela Justiça, expõe uma falha gritante no sistema de saúde brasileiro. A morte da paciente, como relata a Revista Oeste, evidencia uma corrosão profunda na capacidade do Estado de cumprir com suas obrigações básicas e garantir o acesso à saúde para quem mais precisa.

Segundo a Revista Oeste, Larissa, que sofria de leucemia, necessitava do imunoterapia blinatumomabe, crucial para um transplante de medula óssea. A União, intimada judicialmente em março deste ano para fornecer o medicamento, falhou em cumprir a determinação, resultando na morte da paciente em 14 de maio, apenas 59 dias após a ordem judicial. Este cenário, amplamente documentado pela Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), não é um caso isolado, mas sim um sintoma de um problema sistêmico que afeta centenas de pacientes oncológicos.

A Abrale, que acompanha atualmente 185 pacientes com dificuldades para obter tratamentos já incorporados ao SUS, denuncia que os principais entraves ocorrem após a aprovação dos medicamentos, durante as etapas de compra, financiamento e distribuição. A burocracia, a falta de coordenação e a escassez de recursos comprometem a efetividade de políticas públicas que deveriam assegurar o acesso à saúde. A gerente de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale, Luana Ferreira Lima, ressaltou que o paciente teria, teoricamente, acesso ao medicamento em até 180 dias, mas o prazo se esgota sem que o medicamento seja entregue, devido a obstáculos operacionais e de recursos.

O caso de Larissa Amorim, somado a relatos de outras situações, como a ocorrência de liminares em Sergipe que não foram cumpridas, demonstra uma grave crise de governança e responsabilidade no setor de saúde. A falta de ação por parte do Ministério da Saúde, que anuncia a incorporação gradual de novos medicamentos oncológicos com investimentos significativos, sem garantir a sua efetiva disponibilização aos pacientes, é inaceitável. A Revista Oeste apurou que o blinatumomabe já é disponibilizado pelo SUS por meio de unidades especializadas, porém, a ausência de entrega do medicamento à paciente, mesmo após determinação judicial, levanta sérias questões sobre a eficiência e a capacidade de cumprimento do governo.

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