A antiga Penitenciária Agronômica, que por décadas concentrou a maior população carcerária do estado de Santa Catarina, está prestes a desaparecer. Em uma operação que desafia a lógica do crescimento desordenado e a ineficiência do sistema prisional brasileiro, o governo estadual pretende transformar o terreno de 173 mil metros quadrados – equivalente a 17 campos de futebol – em um complexo cultural de porte internacional.
O projeto, ambicioso e com investimentos de R$ 1,4 bilhão, prevê a criação de um parque aberto à beira-mar, trilhas, áreas verdes, um novo espaço cultural anexo ao Centro Integrado de Cultura (CIC) e um teatro de grande capacidade. Além disso, o complexo contemplará a ampliação do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), espaços para shows, equipamentos esportivos ao ar livre, cafés, restaurantes e áreas de convivência, representando uma oportunidade de revitalização de uma área estratégica da capital catarinense.
A iniciativa, impulsionada pela necessidade de modernização do sistema prisional, está vinculada à criação de mais de 9.500 vagas até 2028, com a construção de novas unidades e ampliações em diversas regiões do estado, incluindo uma penitenciária em Joinville com 800 vagas e a ampliação do presídio de Canoinhas. Como apurou a Gazeta do Povo, a medida visa substituir estruturas obsoletas e inadequadas, que dificultam a gestão e a ressocialização dos presos, por unidades modernas, com planejamento adequado e recursos para saúde, educação e trabalho.
A transformação da Penitenciária Agronômica, que se consolidou como um símbolo da ineficiência do sistema prisional, representa um passo importante para a modernização da segurança pública em Santa Catarina, mas também levanta preocupações sobre o potencial impacto na valorização imobiliária da região e o deslocamento de moradores locais. Urbanistas e gestores alertam para o risco de gentrificação, que poderia dificultar a permanência de antigos moradores, exigindo, portanto, um planejamento cuidadoso e a participação da comunidade.









